Heaven Knows I’m Ok Now.
Algumas pessoas são realmente especiais. São únicas. E fundamentais. Não, nem precisam ser daquela banda bacana, ou daquele grupo de artistas. Nem precisam ser grandes médicos, embaixadores, políticos, atores, estrelas de cinema. Aliás, nem precisam fazer coisa alguma. Não são especiais pelo que fazem ou tentam fazer, são simplesmente essenciais pelo que são.
São aquelas pessoas que não precisam mudar o mundo pra mudar o seu mundo. Elas estão por aí, passam por você na rua, na padaria, na faculdade, no trabalho e, se algum dia você tiver sorte, elas falarão com você e você vai saber que elas são especiais. Você vai saber porque elas te olham diferente, elas mergulham em suas palavras, elas são curiosas e interessadas e fazem planos impossíveis (e elas sabem que são impossíveis) com você, uma pessoa que elas conheceram há apenas 5 dias, 12 horas, 56 minutos e 30 (31… 32…) segundos.

Eu costumava prestar atenção demais em algumas pessoas consideradas legais por um determinado grupo. Costumava até, ahm… até dois dias atrás. (Não faz tanto tempo, então não sei se vai durar.) (Espero que sim.) Aquele cara do cabelo legal que tira fotos bacanas, ou a modelo de 17 anos que é sucesso no Instagram pelas fotos provocativas, ou a mocinha bonitinha e criativa das fotos de polaroid. Eu olhava para suas fotos e perfis diariamente. Eu queria a amizade deles, porque, oras, quem não ia querer ser amigo das cool kids?!! Eu não os culpo. Eles são quem são e são encantadores. Mas percebi que o tempo que gastei olhando pra cada uma das fotos deles poderia ser utilizado assistindo um filme e comentando suposições com alguém um pouco mais comum, mas igualmente encantador pelo jeito de ser. E mais importante do que isso, alguém próximo de mim.


Nesse mundo de amigos virtuais, as nossas prioridades podem acabar se confundindo um pouco. Gastamos nosso tempo valioso demais com gente que não liga se vivemos ou morremos (Moz estava aqui), enquanto deixamos de lado aquelas que transpiram carinho por nós. E por que fazemos isso? Porque somos todos ingratos e gostamos de ser infelizes? Sim! Mas mais do que isso, nós valorizamos as coisas erradas. E somos ensinados a fazer isso dia após dia.
Ontem foi 1º de janeiro, e foi um dia importante para mim. Não só porque fui assistir o filme novo do Tarantino (que é arrasador), mas porque estive mais próxima de pessoas especiais. Hoje é dia 2, e também foi um dia importante pra mim, porque estive mais próxima de pessoas especiais. Pessoas que vejo quase todo dia, pessoas que convivem comigo ou que vejo muito constantemente, ou mesmo aquelas que quase nunca estão por perto. Estive mais próxima delas porque ouvi o que elas tinham a dizer, porque encarei cada uma delas como resultado de uma história de vida incrível e única. E olhar pra essas pessoas como eu olhei nos últimos dois dias me arranca um sorriso e uma lágrima. Um sorriso porque não tem como não sorrir quando você sabe que tem pessoas especiais em volta de você. Uma lágrima porque sei que eu não tenho sido uma pessoa especial, que meu olhar curioso e interessado ocorre poucas vezes pra pessoas que vejo diariamente e que são fundamentais na minha vida.
E sabe? I’m not really interested in being like the cool kids. Eu não quero roupas de grife, uma pele perfeita ou um corpão. Eu nem mesmo quero mais usar lentes, meus óculos fazem parte de mim como eu sou. Eu não quero ser sucesso de Instagram. Eu não sou isso. Por mais que eu tente, eu não sou isso. E não quero mais tentar ser amiga de quem ia preferir muito mais me dar um chute no olho (Moz estava aqui também). Quero gostar de quem gosta de mim, e garantir que meu olhar curioso e interessado tome o lugar do descarte automático que fazemos todo dia, como quem joga um Nescauzinho pela metade no lixo. (Eu realmente amo Nescauzinho. Muito mesmo. Não faça isso.)

Para terminar, queria dar um conselho. Não que eu seja a pessoa mais recomendada pra dar conselhos, mas esse é realmente importante. Conheça a pessoa que está sempre ao seu lado. Seja curioso sobre ela. Preste atenção no que ela fala, e ainda mais atenção se ela fala sobre algo que ama. Pergunte sobre seu passado, seu presente, seus planos pro futuro. Pergunte o que ela viu de interessante naquele dia e ouça. Ouça e se importe verdadeiramente, porque essa pessoa é alguém realmente especial. Porque é pra ela que você conta os seus problemas, é pra ela que você fala dos seus medos e angústias, é pra ela que você conta aquela coisa incrível que aconteceu naquele dia. Porque é ela que te faz ser quem você é.