Les 400 Coups

Eu gostaria de viver em um filme francês. Um desses que têm frases soltas que parecem saídas de um livro. Desses cheios de fumaça, restaurantes, vinho e livros. Um filme que trata o amor como um romance de Balzac e a vida como algo efêmero e desconhecido que não deve ser explicado.

A trilha sonora pra esse texto.

Queria ser uma personagem da Nouvelle Vague. Correr pelas ruas e pelos museus, me apaixonar e me desapaixonar todos os dias. Observar, sentir, rir e chorar. Falar poemas como frases e me entregar completamente. Vestir roupas demais ou roupas de menos, dividir uma cama e uma leitura. Ser livre, e apenas escrava dos meus próprios sentimentos. Viver em um filme, onde tudo é perfeitamente pensado e a tristeza é parte do todo. Onde tudo o que acontece é apenas um pedaço da beleza maior, do caos.

Às vezes sinto que os filmes são mais vida do que a própria vida. O tempo passa mais devagar, apesar de acontecer mais rápido. O beijo tem mais sabor, os olhares dizem muito mais. Ele te pega e te joga na realidade que você deveria viver, se tivesse tempo pra viver. Cada filme é uma pequena pílula de delicadeza, aquela que não nos é permitida todos os dias.

Procuro enxergar a minha vida como um grande filme. Pode não ser um filme francês dos anos 60, mas sem dúvida é um. E não adianta você me dizer que a vida não é um filme. Enxergo tudo em enquadramento, em iluminação. São atos, diálogos. Muitas vezes desejo que alguém aí fora esteja filmando tudo, pois meus olhos dizem tanto do que não consigo expressar.

A beleza da vida está no agridoce, no silêncio ou nas palavras difíceis de dizer. Eu espero estar vivendo em um filme, mesmo sabendo que não estou. O importante é viver como se estivesse.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.