Pro(crastinação)cesso Criativo

Entre canetas marca-texto, algumas tintas, uma câmera fotográfica e rolos de papel higiênico e algodão, a mente desenha linhas tortas do que vem a ser qualquer coisa parecida com gente. A folha de papel em branco chama cor como nossos dias cinzas chamam vida. O pincel desliza, a caneta marca, e aceita-se o erro como característica própria de um traço pessoal.

O computador esquenta entre textos e vídeos e filmes e imagens de cenas tão lindas e tão tristes. Desliza entre fotos de pinturas e músicas de girassóis da cor de seu cabelo. Uma lágrima quente cai dos olhos que assistem uma certa dança de uma certa moça em uma certa camiseta com uma certa música. C’est la vie.

A frase vibrante daquele filme (ou era um livro?) que aquece a alma e o coração e a ponta dos pés. O instante fotografado de belas meninas nuas ou crianças que choram. O ponto de virada de qualquer obra que te faz questionar o que é real e o que é com-ple-ta-men-te abstrato.

E a cabeça lateja, contrastando com o tempo livre gigantesco que me assombra em seu silêncio inexato, calculando a próxima grande ideia. E como saber se uma ideia é grande o suficiente? A ideia está escondida aqui, quieta, assustada, com medo das trivialidades excitadas, quase estourando em meu cérebro. Parece que ela só aparece na procrastinação de cada separada circunstância (ou naquele banho). A ideia está logo ali, quase posso senti-la.

Enquanto ela não vem, continuo sentindo meu corpo quente e fresco, cheio de sangue bombeado pela mais forte das áreas da vivência humana. O que bombeia meu sangue é a arte.

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