de canto de boca

ago. 10, 2015

o sorriso que aparecia em sonho, várias vezes, hoje fez sentido pra mim. calhou de que eu percebi que sonhos poderiam se tornar realidade — suas piores partes — e alguém que se imaginava totalmente incapaz da crueldade de um sorriso, o levantou com tanta segurança e firmeza como nos sonhos anteriores, como se só estivesse esperando o momento correto pra solta-lo.

é muito louco isso, isso de acreditar que as coisas jamais vão acontecer com você. de fechar os olhos e dar as mãos para um total estranho que vai e te leva em direção a fogueira, mas você sente o calor como se fosse um abraço. de longe, bem de longe, dá pra notar que não tá certo, que isso vai dar errado, mas lá vai você, pé ante pé, na crença de que dessa vez vai ser diferente.

acabei de escrever em outro lugar: “o desespero me faz acreditar até em horóscopo de ano que já passou de signo q nem meu é!”. tá aí uma verdade. quando a gente quer muito algo, é biscoito da sorte, teste de revista, manchete de jornal e trecho de música. você quer acreditar que aquilo ali é pra você, na predestinação das coisas e que tudo é um sinal imediato que os ventos da mudança estão ali, aguardando você dar uma rodopiada para eles mudarem.

e aí o tempo parou. nada mudou, tudo é uma repetição da repetição da repetição do que já aconteceu um dia. na verdade, talvez as coisas nem façam — e nem devam — fazer tanto sentido assim. talvez lá na frente, novamente, bem de longe, a gente consiga enxergar the big picture. mas lá vai que essa figura tão grande foi feita por um bebê gigante riscando aleatoriamente numa parede qualquer.