Léo Magalhães
Nov 4 · 2 min read

Sobre não-mono não ser liberdade irrestrita, isso é óbvio, a partir do momento que parte de regras acordadas entre xs envolvides.

Sobre seu texto que especificamente fala que “don’t ask, don’t tell” ser uma forma de opressão, eu entendo muitos dos argumentos do seu texto, sobre objetificação, sobre ser uma forma de continuar mono e tal. Está longe de ser o acordo ideal, para mim ou para qualquer pessoa séria na não-mono, eu prefiro a transparência, eu prefiro saber.

Mas na prática, para um casal que está vindo da monogamia, é um acordo válido como qualquer outro. O mais importante dessa história é que A OPÇÃO POR ESSE ACORDO FOI DELA. Era o limite dela, o momento que ela se encontrava na sua desconstrução, e que, talvez, nunca passasse deste ponto… Mas ter sofrido ataques dessa forma impediu que ela pudesse evoluir para um acordo mais justo. Os acordos nos relacionamentos deveriam ser respeitados, não apenas pelos envolvides, mas por todes. É o básico do respeito.

Me afastar do meio não-mono foi um ato de responsabilidade afetiva minha. Foi minha escolha. Eu não escolhi ficar sozinho, não enquanto o relacionamento ainda era viável para mim, mesmo com alguma restrição de liberdade. Poderia ter escolhido continuar não-mono mesmo longe dos rolês, mas como!? Muito menos no estado emocional em que me encontrava. Simplesmente a conta não batia.

Acho bacana todos esses conceitos de anarquia relacional, de não hierarquia e tal. Mas nem todo mundo está preparado pra isso. É um processo, e pra começar é preciso estar seguro de si, forte emocionalmente. E eu não concordo com a demonização de quem ainda está chegando, tentando entender, cometendo os mesmos erros de sempre. É preciso mais tolerância e compreensão. Não dá pra impor suas ideias de anarquia relacional por melhores que elas sejam (e eu senti um pouco isso nos rolês, como sendo demonizado por não estar ainda me relacionando anarquicamente). As pessoas vão se relacionar como quiserem, e na minha opinião o papel dos grupos não-mono deveria ser dar apoio ao seja lá o que as pessoas quiserem (mesmo que seja para dar a elas a oportunidade de descobrir por si próprias porque aquilo não funciona)…

Toda essa discussão sobre poliamor ser ou não não-mono, sobre ser ou não guarda-chuva, sobre todos os outros acordos que não a anarquia relacional não serem a maravilhosa Sacrossanta Verdade sobre os relacionamentos, me desculpa, acho uma grande idiotice. Para mim as pessoas deveriam estar lutando por se relacionarem da forma que bem entenderem, quaisquer acordos consensuais são válidos se não houver abuso, se não houver chantagem, coerção de qualquer tipo ou algum tipo de dominação psicológica. E é somente com isso que vocês deveriam se preocupar, e não com qual a maneira “certa” de se relacionar… É muito cansativo isso. Deveriam, por experiência própria de ter sofrido preconceitos morais pela sociedade, deixarem as pessoas serem felizes como bem entenderem.

P.S — ainda estou lendo outros textos, mas senti necessidade de responder assim mesmo.

    Léo Magalhães

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