Ciclovias e o trânsito de São José do Rio Preto — SP

Boa noite! Hoje estive presente na passeata em homenagem à morte do ciclista André que foi atropelado por um carro no cruzamento da Bady com a Pedro Amaral no último domingo (05/06/16). Vi o repórter perguntando para os ciclistas/cicloativistas o que eles acham do trânsito de Rio Preto. Não fui entrevistado, porém quero deixar aqui meu relato.

Meu nome é Luis Otávio, tenho 29 anos e sou cicloativista. Hoje utilizo a bicicleta como meu meio de transporte principal, faço compras, vou ao trabalho, à faculdade, à casa de amigos etc.

Minha opinião sobre o trânsito de Rio Preto é que ele é um caos. Resultado de políticos que não dão a mínima para outro transporte que não seja o carro. Temos carros demais, trânsito demais e investimentos de menos em transportes alternativos.

As grandes capitais do Brasil como capitais do mundo já mostraram que não existe solução para o trânsito de carros. Não adianta criar novas avenidas, criar novas faixas, aumentá-las ou qualquer outra coisa. Não tem solução. Isso porque o trânsito aumenta de acordo com a “oferta”, se há avenidas largas e rápidas, mais carros estarão nas ruas. A solução portanto é investir em transporte alternativo: Transporte coletivo de qualidade e ciclovias/ciclofaixas.

Porém se hoje alguém adotar a bicicleta como meio de transporte para ir, por exemplo, ao trabalho, terá que enfrentar a tensão e o estresse que é andar de bicicleta em Rio Preto quase que em 100% do trajeto, pois temos apenas duas ciclovias, uma na Av. Philadelphio e a outra na represa.

Como cicloativista quero comentar o que é pedalar em meio aos carros e o que é pedalar na ciclovia.

No trânsito, nós temos que pensar em nós e em todo o resto a nossa volta (carros, caminhões, ônibus, motos, pedestres etc), como quando estamos dirigindo o carro, mas no carro o condutor está protegido e se bater, haverá apenas danos materiais. Isso não acontece na bicicleta. Na bicicleta é a nossa vida em jogo. Quando eu ouço o ronco do motor de um carro se aproximando, começo a ficar tenso e a me perguntar: Será que ele está me vendo? Será que ele vai me fechar para fazer a curva na esquina?

Quando ouço o barulho de um ônibus ou caminhão a tensão é ainda maior. Será que o ônibus vai mudar de faixa para me passar? Ou será que ele vai tentar passar na mesma faixa e vai tirar uma fina de mim?

O mesmo acontece quando uma moto se aproxima. A moto é muito veloz e quase não consigo ouvi-la, quando percebo ela já me ultrapassou.

Tanto um ônibus quanto um carro passando próximo a mim me faz ter um leve desequilíbrio, às vezes me assusta e o desequilíbrio é maior. Como já ando há mais de 10 anos, consigo manter o equilíbrio e seguir em frente, mas e se a pessoa que está pedalando não tem as “manhas” no pedal? Com certeza irá para o chão. Com carros trafegando entre 40 a 60km/h, se um ciclista cair, será que dá tempo do carro de trás parar? E do ônibus com todo aquele peso?

A tensão ao pedalar nas ruas é muito grande, diferentemente na ciclovia.

Na ciclovia, podemos ficar relaxados e curtir a pedalada, pois não teremos carros, motos ou ônibus querendo nos ultrapassar de qualquer maneira.

Ciclovia = paz e segurança. Trânsito = insegurança e caos.

Esse trânsito caótico mata muito! Fico me perguntando até quando nossos representantes políticos irão ignorar as mortes que acontecem em Rio Preto, como essa do André? Quantas “ghost bikes” (bicicletas pintadas de branco instaladas no local de um atropelamento) ainda serão afixadas para que nossos representantes comecem a se preocupar? Quantas vidas terão que ser ceifadas para que os políticos se preocupem com nós? Até quando isso vai continuar assim?