Não posso gostar de você

Desde a primeira vez que eu escutei uma opinião sua, percebi que não poderia me envolver com você. Não podemos negar, somos seres de lados opostos, eu um irônico de esquerda e você um arbitrário ser da direita, e uma relação entre nós seria como misturar água e óleo.

De fato, a teoria está escrita, posta em papéis brancos e timbrados, mas por um pequeno discutido meu, me peguei olhando por um tempo longo demais para os seus olhos claros e seu sorriso aberto.

Deixemos as hipocrisias de lado, eu te odiei no primeiro momento, desejei a sua morte, e como prêmio o seu coração em uma bandeja de prata. Juntamente com meus comparsas, eu tramei o fim de sua vida, estipulei como seriam as tragédias que aconteceriam com você, tomando cuidado para não deixar rastros de quem o fez.

Mas foi depois de muito tramar contra ti que percebi o quanto você poderia ser diferente do que eu imaginei. Uma pessoa forte, que faz de tudo para conseguir o melhor a todos, alguém que escuta as pessoas, mesmo quando este está contra as suas ideologias, um ser que brinca de forma única e ri das minhas piadas idiotas.

Não consigo aceitar o desejo que sinto por você, invento desculpas para demonstrar que esse sentimento é uma mentira, até esse momento a melhor que consegui foi que você é o pai que procuro, tão parecido com o meu, não posso negar as semelhanças no estilo de se vestir e de descuidar do visual, logo tudo não passa de uma culpa superior, sendo o culpado desse amor que não deve existir, Freud.

Deixando de lado a depreciação desse amor, a verdade é fria e espinhosa, o ideal é que não ocorra nenhum tipo de relacionamento entre nós, não porque eu gostaria de ficar sozinho, ou porque você é o inferno na terra, mas não gostaria de transformar um sentimento tão agradável em uma disputa infantil de quem é melhor. Porém, se quiser, podemos ser bons amigos, o que me diz sobre?