Qual o seu gênero?

Olho para as duas opções, nenhuma delas me contempla e não existe uma terceira escolha. Qual delas eu coloco?

Quando me encontro em uma situação aonde tenho que colocar meu gênero e só existem duas opções, feminino e masculino, eu respiro fundo antes de responder essa pergunta. Não me encontro em nenhuma dessas escolhas e a sociedade insiste que eu tenho que me colocar como feminino, mesmo esse não sendo o meu gênero.

Eu sou uma pessoa trans não-binária, sou demigirl. Mesmo nascendo com um órgão reprodutor feminino, isso não faz de mim mulher. Mesmo o meu gênero significando parcialmente feminino e parcialmente neutro, isso não faz com que eu me sinta bem tendo que escolher o gênero feminino.

É com essa pequena pergunta que eu me sinto cada vez mais para baixo, não apenas pela invisibilidade dos gêneros não binários, mas por lembrar que as pessoas sempre me enxergarão como algo que não sou. Com a baixa autoestima, eu começo a me questionar, me sinto uma farsa, e a pequena voz dentro de mim, que só me quer ver mal, consegue alcançar o seu objetivo. Eu me sinto no chão, sem visão ou vontade de viver.

Sem muitas pessoas com quem conversar sobre o assunto, eu tenho que encontrar a minha força interior, olhar para a minha pequena verdade e confiar em tudo o que sinto e penso. Essa é uma tarefa difícil, e o exercício que tenho que fazer para alcançar o meu objetivo tira a minha vitalidade. Mas são com esses pequenos passos de autoconfiança que consigo me fortalecer e seguir com a minha vida.

Acredito que com o passar do tempo, eu me sentirei forte o suficiente para, ao me deparar novamente com essa pergunta, não me questionar sobre a minha veracidade, mas questionar o interlocutor sobre o seu pensamento errôneo quanto ao meu gênero.

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