6h30, quarta-feira

Acordei e vi uma fita de cetim na cama.

Era tão bonita. Brilhava tanto.

Tinha o tom de azul mais vivo que meus olhos já alcançaram.

“Quem será que a esqueceu aqui?”, foi meu primeiro pensamento.

Não era minha. Disso eu tinha certeza.

Fui alcançá-la com a mão. Desapareceu.

Por uma fração de segundos, meus dedos se iluminaram. O cetim virou sombra.

Tinha acabado de matar a mais bela fita que meus olhos já viram. Se estivesse viva, seria de muita utilidade: poderia colocar no cabelo, amarrar na bolsa, usar de chaveiro… eram tantas opções, mesmo que no fim das contas ela só fosse ficar pendurada no guarda roupa ou escondida no armário.

A fita, que não pertencia a mim, estava na minha cama. Só percebi o quanto poderíamos ser felizes juntas quando notei que ela não existia.

Era só uma fresta de sol entrando pela cortina e iluminando a imensidão de azul na qual estive imersa por horas durante a noite.

Voltei meus dedos assassinos àquela luz.

Eles não tinham a mesma luminosidade que minha pseudo-fita-de-cetim. Ganharam um branco meio amarelado. Não era feio, mas não era aquele azul.

Foi frustrante: a minha fita era só o sol, mesmo em uma manhã nublada, com chuva e trovões.

Como pode o sol, mesmo entre tantas nuvens, árvores no quintal e minha recusa desesperada de deixá-lo entrar no quarto, com cortinas, blecautes e fitas adesivas, não só entrar como me presentear com a mais bela cor que eu já vi na minha vida?

Que audácia, me dar um presente tão bonito mesmo que eu tenha dito um belo e sonoro NÃO todas as vezes que ele aparecia para mim de manhã, anunciando responsabilidades e a chegada de um novo, e talvez cansativo dia.

Que audácia.

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