PÃE É SOBRE ANULAR UMA DOR
No Brasil, 5,5 milhões de crianças não tem no seu registro de nascimento o nome do pai, apontou a mais recente pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Acordei com uma mensagem de “parabéns” e ao dizer que meu aniversário é no próximo domingo recebi um “feliz dia dos pais, você é pãe”. PÃE MEU CU. Eu sou mãe de Ifé, mãe solo, tenho a guarda dele, mas Ifé tem pai. E mesmo se não tivesse no registro e na vida, jamais eu teria duas funções, jamais seria mãe e pai.
Desejar a uma mulher feliz dia do pais é romantizar abandono paterno, é sobrecarregá-la nas suas funções afetivas e sociais. Nós mulheres são somos culpadas por essas ausências e não é justo que seja de responsabilidade nossa ter que dar conta do vazio e da dor que fica na formação da criança e suas frustrações. A mãe já cumpre o papel que lhe cabe.
Parabenize a mulher da sua vida e do seu ciclo por ser mãe, por ser avó, por ser tia, por assumir este papel com afinco e dar o seu melhor. A maternidade solitária, muitas vezes, não é escolha. Não romantize essa dor.
Cidinha da Silva escreveu para a Revista Fórum o texto intitulado “Pãe, coisa nenhuma!”, que para mim é muito didático e explicativo o porque, para nós — mães jovens e feministas — esse termo não faz sentido.
Eu não quero esse lugar. Eu sou mãe.
