A chata literatura da escola

Uns poucos sobrevivem.

Recentemente fiz um trabalho de Intervenção na Realidade Escolar — que é aquela disciplina que te faz pensar por que raios você escolheu licenciatura — e decidi que trabalharia Literatura com os alunos da escola escolhida, partindo de uma problematização que muito me angustia: a literatura na escola é chata.

Quando eu ainda estudava na escola, não aprendi nada de literatura, mas ainda assim tive interesse por leitura, livros e tudo mais — afinal eu sou o rei das palavras. Eu costumava ir nas bibliotecas das escolas e da minha cidade (só tinha uma, o farol da educação) e descobri muitos títulos e autores sozinha, então me apaixonei por eles. Descobri Júlio Verne, Victor Hugo, Arthur Conan Doyle e alguns brasileiros, tudo que fosse voltado para ficção, fantasia, aventura, porque os romance urbanos comuns da literatura clássica brasileira com seu nível linguístico altíssimo não são interessantes para alguém de 12 ou 16 anos.

E depois da minha experiência, passei isso para o meu irmão quando eu ouvi ele dizer que odiava Literatura. É necessário dizer que ele estava sendo obrigado a ler Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco. Nenhum adolescente consegue! Apresentei outros nomes como H.G Wells, e a partir disso ele passou a buscar na biblioteca outras histórias, como igualmente eu fiz. Só que ele me superou em determinado ponto: passou a ler política e história. Esse é o poder da literatura.

Dar aos adolescentes algo interessante à idade deles não é só para entreter. É para expandir. Leitura é para todas as áreas além de língua portuguesa. Leitura é base. Como alguém pode ficar sem essa base por causa da literatura chata da escola? É natural que se passe a odiar Literatura, livros e tudo mais, quando você é obrigado a ler Memórias Póstumas de Brás Cubas. Não tem como isso concorrer com um filme de ficção científica!

E para nossa surpresa, existe ficção científica enquanto literatura no Brasil. Mas isso é assunto para outro texto. O que pretendo finalizar aqui é que deveria ser apresentado aos alunos uma literatura que se aproxime do interesse deles e que ao mesmo tempo os faça crescer enquanto indivíduos pensantes.