Luzes da Noite

Aquela noite tinha luzes coloridas. Piscavam descontroladamente, e minha cabeça estava começando a doer por causa dos flashes verdes, vermelhos, azuis e amarelos que acendiam as dezenas de rostos escurecidos e meus olhos tinham de mudar constantemente. Apesar disso, queria que aquela noite nunca terminasse.

Eu “dançava” loucamente, como nunca havia feito antes. Meu cabelo perdia o penteado por causa do suor e minha roupa estava amassada, suada. Meus pés estavam dormentes por causa do salto, mas nesse ponto eu já estava pulando descalça.

Eu já conhecia o rapaz, nós estivemos juntos nos preparativos para a festa. Não nos conhecíamos completamente bem, como conheço meu cantor preferido, mas ele não era de longe um completo estranho. Era conhecido o suficiente para sentir a liberdade de agir de certa forma comigo.

Os olhares que ele me direcionava desde a primeira vez que nos vimos me fizeram compreender tudo desde o início. Eu sabia que havia algo diferente, mas isso não me afetou. Não até os últimos dias antes daquela noite…

Era uma noite iluminada, quer fosse pela luz da lua ou dos holofotes daquele lugar festeiro. Para mim, não havia diferença, pois eu lembrava apenas das luzes e de uma mão que segurava suavemente a minha e, de vez em quando, apertava-a delicadamente.

Dancei com ele. Ou pelo menos sacudi meu corpo em alguma batida inexistente na música, pois eu havia respondido que não sabia dançar quando ele me convidou. Apesar disso, segurei seu braço e fomos para a roda; ele vestido de uma roupa grossa que insistia em não tirar apesar do calor, e eu que não podia sair do seu lado e deixar de sentir o calor que emanava do seu corpo…

Rimos, e como rimos. Talvez de mim, da situação, de como parecíamos ridículos e ainda assim, inexplicavelmente felizes. Eu não queria ver mais nada senão seu rosto que assumia tons de verde, azul, amarelo e vermelho a cada segundo, mesmo que doessem meus olhos a cada troca constante. Não queria deixar de tê-lo de frente para mim, sorrindo inocente e me encarando com seus olhos penetrantes e puros.

Totalmente exaustos, após tanto tempo nas luzes daquela pista, saímos da roda de dança e conversamos alguma coisa bem rapidamente, ainda de pé, e foi quando ele segurou minha mão sem motivo algum. A conversa era descontraída, engraçada, nenhum motivo romântico para isso, mas ainda assim adorei sentir seus dedos pulsando nos meus, apertando minha mão com delicadeza, e tentando se aproximar. Sentamo-nos a uma mesa que tinha copos redondos de vidro com restos de bebidas coloridas, e conversamos sobre música. O som que vinha da pista de dança não nos impediu de ter uma conversa agradável e sem gritos.

A celebração chegava ao fim, e depois de tantos olhares diferentes, mesmo dentro de uma conversa em que só estávamos nós dois, tivemos de nos despedir.

— Foi um prazer imenso — ele disse se pondo de pé e me estendendo a mão.

Apenas sorri e dei minha mão ainda sentada. Mas levantei assim que percebi que não o veria novamente tão cedo. Mesmo sem dizer nada, sem conseguir responder nada de realmente importante ou significante, estendi meus braços para envolver seu pescoço e ele segurou a minha cintura com força. Foi nesse momento que eu desejei que aquela noite jamais tivesse fim.