A mais nova falácia contra o feminismo radical.

Uma reflexão sobre a acusação de transativistas em relação à vertente radical.

O maior erro do transativismo, em relação ao feminismo radical, é tentar comparar a vertente com o conservadorismo religioso.

Ao afirmar que o feminismo radical, em seu conceito de gênero, caminha lado a lado à ideia conservadora de que “Deus criou o homem e a mulher”, só prova que o movimento nada conhece sobre a teoria radical.

Ao contrário do conservadorismo religioso, que acredita em homem e mulher através da criação divina — e que assim deve permanecer — , a teoria radical afirma que nascemos macho e fêmea, e que, com base no sexo com que nascemos, somos designados e socializados como homem (macho) e mulher (fêmea), e que tal socialização, imposta e determinada pelo patriarcado, é a base da opressão feminina.

Nascer fêmea e, consequentemente, ser socializada como mulher é a opressão.

Olvida-se o transativismo de citar, talvez por má-fé, que o conservadorismo religioso quer que continuemos a ser socializados como homem e mulher, cada um obedecendo o papel de gênero a si determinado. Enquanto o feminismo radical, por sua vez, quer a abolição dos papéis de gênero e do gênero em si. O conservadorismo religioso quer que continuemos submissas aos nossos maridos, que continuemos casadas, que continuemos exercendo nosso “papel de mulher”, conforme os ditames patriarcais; o feminismo radical não. O feminismo radical quer a libertação da mulher de todas as normas de gênero.

Tanto é que, para conservadores, uma mulher que não performa feminilidade é apenas uma mulher “querendo ser homem”. Para o feminismo radical, é uma mulher, tão mulher quanto aquelas que performam feminilidade.

Assim, ao contrário do que o transativismo tenta pregar, não há qualquer similaridade entre conservadorismo religioso e feminismo radical. O que há é uma tentativa torpe de desqualificar um movimento político, uma vertente feminista, e afastar as pessoas dessa vertente, praticando trashing e silenciamento dentro do movimento a qualquer simpatizante do radicalismo.

Portanto, é imprescindível que não se acredite cegamente nas falácias de transativistas quanto ao feminismo radical, que por muitas vezes são acusações de cunho pessoal, sem qualquer fundamento ou lógica.

Afinal, afirmar que somos categorizados em um gênero conforme nosso sexo biológico não é conservador, é realista. E lutar pela abolição das normas de gênero não é conservador, é revolucionário.