Ela disse, olhando em meus olhos: "aproveite os dias como se fossem os últimos da sua vida." Assim comecei a fazê-lo.

Banhei-me por longos minutos, sentada no chão do banheiro. Fazendo uma prece baixinha para ter ao menos um terço da força dela.
Me despi dos pudores. Para que me preocupar com opiniões não valiosas? Se tiver vontade, irei fazer. Claro que nada que me traga graves consequências. Mas, estou aqui para arriscar.
Descalcei das ansiedades. O presente deve ser vivido. Deve ser sentido, aproveitado plenamente. Quanto ao futuro, logo descobrirei.

Me soltei das amarras do passado. Nenhum sentimento de invalidade e incapacidade irá permear meu ser. Não mais. O que aconteceu, por mais dolorido que tenha sido, cicatrizou. Virou lembrança boa marcada na pele. Como um sopro de outras eras. Deixou de consumir, de corroer.

Me livrei dos pensamentos negativos. Por aqui, agora é só alegria. Extrair do mundo o que de melhor encontrar. Viver cada experiência no seu devido momento. Não me atropelar com indagações cíclicas. Com questões que estão aquém do que posso realizar.

Saí, finalmente, da tão sedutora zona de desconforto. Estava tão habituada a vivê-la que mal percebia o quanto me fazia mal. O quanto sugava meus dias e mexia com meus pensamentos.

Sei que minhas preces foram ouvidas. Sei que não foi só em sonho que esteve tão forte em meus braços. Agora eu tenho certeza, que depositou em mim, aquilo que em oração pedi: um pouquinho da sua força.

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Lorena Porto Machado

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