Arrumando a casa com o método KonMari

Resolvi testar o método da Marie Kondo, autora do best-seller A Mágica da Arrumação

Marie Kondo, a japonesa que você mais respeita

Moro, com meu marido, em um apartamento de tamanho médio e relativamente bem organizado — diria que ele é o tão organizado quanto um local cheio de vida deve ser. Nós dois não somos pessoas acumuladoras nem muito consumistas e até duas semanas atrás, eu diria que tínhamos poucas coisas em casa: apenas o suficiente.

Nos últimos meses li e ouvi várias pessoas comentando sobre o método KonMari, criado pela Marie Kondo. Aos 30 anos a japonesa virou uma espécie de guru da organização divulgando o método que ela própria criou. Seu livro “A Mágica da Arrumação — A arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida” já vendeu mais de 5 milhões de cópias prometendo que sua casa vai ficar organizada de uma vez por todas. Sim, a Marie Kondo promete, como ela mesma diz, que você não sofrerá o “efeito rebote” e sua casa ficará organizada para sempre. A promessa era boa e resolvi pagar para ver — mesmo estando muito cética acerca de todo o processo e da abordagem que ela sugere.

A Marie Kondo recomenda que você faça a organização por uma ordem que ela pré-estabeleceu: roupas (incluso sapatos, bolsas e acessórios), livros, documentos (papelada), itens variados (tranqueiras espalhadas pela casa) e por último os itens de valor sentimental (fotografias, presentes e afins).

A pergunta-chave para o processo de desapego, segundo a Marie Kondo, é: “isto me traz alegria?”. Se a resposta for negativa, descarte. Eu sou muito boa para desapegar de roupas e afins, mas tenho dificuldades em desapegar de livros, presentes e fotografias. Aliás, quando li o livro achei um sacrilégio ela sugerir jogar fotografias no lixo. E, cá entre nós, achei meio ridículo ficar me perguntando mentalmente se cada objeto me trazia alegria.

Recentemente, havia feito uma grande doação de roupas e achei que este item teria pouco ou quase nada de itens para desapegar. “Vai ser rápido”, pensei. Contra toda minha expectativa, a quantidade de roupas que separei para descarte foi absurda. Doei 60 peças e mantive 76, ou seja, eu doei quase metade do meu guarda roupa! Se for considerar as roupas que doei um mês antes, posso dizer tranquilamente que doei mais da metade de tudo que tinha para vestir. O mesmo se deu com os sapatos, metade se foi e metade ficou.

O mais interessante é que apesar de ter partes no livro que me fizeram rir (por exemplo quando ela diz como você deve tratar as suas meias), eu segui o método para ver aonde dava… e deu certo. Sinto que realmente cada item da casa tem o seu lugar para ficar guardado e, consequentemente, quando acabo de usar volto imediatamente para o mesmo local.

Arrumei o guarda roupa do meu marido usando a técnica vertical (roupas em pé, lado a lado) ao invés da horizontal (uma dobrada em cima da outra) que geralmente usamos e ele achou que ficou bem melhor. Obviamente não descartei nada, porque é um processo extremamente pessoal, mas isso prova que mudar o modo de guardar também é eficaz. Ao ler o livro eu ri porque a Marie fala das coisas as vezes como se fossem pessoas com sentimentos e, para mim, são apenas objetos. Durante o processo entendi que, na verdade, o que ela quer dizer não é que você deve ter apego as coisas materiais que ficam, mas sim que você deve tratar com carinho e cuidar delas, assim a durabilidade é maior. Se duram mais, você consome menos.

O descarte é, sem dúvidas, o ponto alto do processo. Quanto mais eu desapegava de itens que não gostava, mais eu gostava das coisas que ficavam. Assim, a casa foi ficando cada vez mais “leve”. Reorganizei as coisas em seu devido lugar e posso dizer que agora sei tudo que tenho na minha casa, não existe mais nada esquecido dentro de nenhuma gaveta.

A Marie diz que você deve fazer a organização de uma só vez, mas eu não consegui. Aqui em casa a organização durou dias, porque a cada local que eu organizava eu fazia uma faxina. Limpei todos os armários, lavei todos os sapatos, bolsas e tudo que ficou, e isso obviamente demora mais do que só colocar tudo no lugar de novo. Talvez seja coisa de brasileiro, querer limpar tudo durante o processo, mas eu não ia conseguir apenas selecionar e guardar.

Esperei um tempo antes de escrever este texto, para ver se o método realmente ia durar e como eu iria me sentir com o passar do tempo, se a sensação não seria passageira. Agora posso dizer que, sim, o método KonMari funciona!

Arrisco dizer que o que mais fica desse processo não é a organização da casa, mas a clareza ao enxergar quantas coisas acumulamos desnecessariamente, todo consumo, apego material e tempo perdido envolto a esse acúmulo de coisas. Eu, que me considerava uma pessoa desapegada e consciente, me senti uma fraude.

Depois que terminei fiquei com a sensação que na próxima vez que fizer uma nova grande organização (a Marie sugere que você reveja suas peças e desapegue novamente de algumas coisas uma vez ao ano) eu vou desapegar de ainda mais coisas. Ou talvez, no dia a dia, eu me depare com objetos que eu possa simplesmente desapegar. Também sinto que o método faz pensar dez vezes antes de comprar qualquer item desnecessário. Sinto que depois dessa grande organização usando o método KonMari, não preciso mais ficar fazendo pequenas organizações semanais, as coisas realmente ficam em seu devido lugar.

Como eu disse acima, achei um sacrilégio quando a Marie Kondo sugere que até fotos podem ser descartadas. Sou uma amante da fotografia, mas pode acreditar que até eu joguei fotos no lixo. Este foi o momento que vi que o método realmente funciona. Marie Kondo merece seu título de guru da arrumação.

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