X-Men (2000) — O Filme necessário para a época

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Se 2016 pode ser o melhor ano para os super heróis no cinema, agradeça a X-Men (2000). Mesmo com o Superman do Richard Donner ou o Batman do Tim Burton, não havia chegado as telas um filme que realmente mostrasse o quão profundo adaptações das páginas dos quadrinhos podem ser.

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Stan Lee sempre criou heróis que não tinham o perfil de deuses como são os da DC. Como a maioria foi criada nos anos 60, ele aproveitava várias questões reais da época como Guerra Fria, bombas nucleares e Guerra do Vietnã como inspirações na origem dos seus heróis. Dessa leva veio Homem-Aranha, Hulk, Homem de Ferro, Demolidor, Quarteto Fantástico, os Vingadores e lá no fundo, mais sem tanta ideia pra personagens, surgiu os X-Men.

X-Men foi o grupo de heróis que Stan Lee criou numa época que o quadrinista já não sabia de onde inventar origem de poderes. Assim criou os Mutantes, grupo de pessoas que nasciam com o Gene X e possuíam habilidades fora do normal. A questão de seres humanos que já nascem poderosos gera o temor de grande parte da sociedade. Essa abordagem é muito forte para ser trabalhada com os leitores e demorou um bom tempo para que realmente os X-Men fossem tratados de uma forma que o leitor se importasse com os personagens e o cerne da história se mantivesse.

O filme X-Men não é o que se pode dizer de fidelidade aos quadrinhos. Todo visual colorido, foi substituído por um clima sério, com os uniformes dos heróis, cada um de uma cor e com personalidade, fora substituído por um couro preto e algumas liberdade com alguns personagens foram tomadas. Entre elas: o Wolverine do Hugh Jackman. Que por mais que visualmente não lembre tanto o baixinho dos quadrinhos, é nesse filme que a personalidade dele mais se assemelha com o que líamos e apresentou o ator que iria imortalizar o Mutante canadense nas telonas!

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O diretor Bryan Singer, que é um Homossexual assumido, soube como ninguém trazer todo aquela mensagem por trás das história dos Mutantes. Como a população e políticos, na figura do Senador Kelly, teme a minoria e como eles podem representar o fim da raça humana. Muito dessa linguagem social e política é abordada no filme nas figuras dos líderes Mutantes: Charles Xavier, o Professor X (Patrick Stewart), líder dos X-Men e que acredita que os humanos e Mutantes podem conviver em harmonia e Magneto (Ian McKellen), Líder da Irmandade de Mutante, que crê radicalmente que os Mutantes são a nova raça dominante na evolução e por isso a única a andar sobre a Terra. A conversa que os dois têm no final do filme já traça muito da diferença entre os dois e prepara o que pode vir a ser tornar uma caça aos Mutantes na sequência!

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Claro que X-Men foi um filme que visualmente envelheceu, e muito. Desde que a Marvel Studios criou o MCU e fez filmes como Homem de Ferro (2008), Os Vingadores (2012) e Guardiões da Galáxia (2014), o público abraçou essa linguagem mais leve, colorido, tirado diretamente das páginas dos quadrinhos. Coisa que há dezesseis anos atrás não funcionaria, principalmente pensando o quão perto de Batman & Robin (1997) o primeiro X-Men foi lançado.

Não só isso, mas os efeitos visuais hoje são considerados toscos. Muitos cabos para os personagens pularem ou serem jogados; personagens inúteis como o Groxo, mas que por possuir uma língua de sapo é um poder fácil de ser editado para ser usado no filme; o visual exagerado do Dentes de Sabre, que vai contra a decisão do couro preto; como a própria peruca falsa da Tempestade (Halle Berry). A trama, da mesma forma que Deadpool, é daquele filme de estrutura clichê dos heróis que vão ter que enfrentar o grande vilão que quer destruir a humanidade e para isso tem uma arma infalível, que é a Vampira. Contudo, por mais simples que seja, o desenvolvimento funciona e a parte interna por trás das histórias dos X-Men é respeitado.

Da mesma forma que as primeiras edições dos X-Men nos quadrinhos são datadas para o público atual, a mensagem por trás continua grande e o mesmo acontece com o filme de 2000, que não só levou a uma sequência melhor ainda, como iniciou a leva de filmes de super heróis que surgiram nos últimos dezesseis anos e criaram uma base de respeito dentro do universo da Sétima Arte!


Originally published at qstage.com.br on May 17, 2016.

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