Registro de Muçulmanos nos Estados Unidos? Lembre-se dos Japoneses.

Você sabia que cerca de 110 000 japoneses e descendentes de japoneses foram mantidos presos em campos de concentração nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial? Muitas destas pessoas eram cidadãs norte americanas e nunca haviam nem mesmo pisado no Japão.

Você sabia que houve cooperação da América Latina para enviar japoneses e descendentes de japoneses do Peru, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá e Venezuela para os campos de concentração nos EUA?

Muitas destas pessoas foram deportadas posteriormente. Muitos destes perderam suas casas, suas terras, suas posses, suas famílias e mesmo após a guerra, muitos não conseguiram retornar para suas antigas casas, pois haviam sido depredadas e os vizinhos não os queriam mais por perto.

George Takei, mais conhecido por interpretar Sr. Sulu em Star Trek, foi uma dessas pessoas. 
 
Aos 5 anos de idade, Takei foi trancado, junto de sua família, em um campo de concentração. Hoje ele faz um apelo:

“Eles prenderam minha família. Não deixem que façam o mesmo com os muçulmanos.“

“A Estigmatização, discriminação e rotulação de nossos companheiros humanos, baseadas em raça ou religião, nunca levou a um mundo mais seguro. Porém, muitas vezes levou a um mundo onde os mais vulneráveis pagam o preço mais alto.” -George Takei-

Michael Kenji Shinoda, ou Mike Shinoda, músico, compositor, produtor, designer gráfico e fundador das bandas Linkin Park e Fort Minor, escreveu uma música chamada “Kenji“, onde ele conta a história de sua família, também presa em 1942 no campo de concentração Manzanar, na Califórnia.

“Durante a Segunda guerra Mundial, depois de Pearl Harbor, todas as famílias japonesas de uma certa linha tiveram que ir para campos de concentração…

Você consegue imaginar, pegar tudo o que é importante para você em sua vida, entrar em um ônibus e ser levado para Deus sabe onde, por Deus sabe quanto tempo, porque de uma hora para outra você é o “Inimigo”? Isso é uma merda.” -Mike Shinoda-

Este vídeo conta um pouco mais dessa história, enquanto a faixa “Kenji“ é tocada ao fundo.

É impossível imaginar algo desta natureza acontecendo com Japoneses em 2016, porém durante a Segunda Guerra Mundial, o governo dos EUA argumentava que as autoridades militares não podiam distinguir quem eram os supostos inimigos e quem eram pacíficos e patriotas Nipo-americanos. Desta forma, concluíram que então todos os de ascendência japonesa, incluindo cidadãos americanos, deveriam ser presumidos culpados e levados sem acusações, julgamentos ou processos legais, em muitos casos, por anos.

Estes mesmos argumentos ecoam nos dias de hoje com a presunção de que por conta de um punhado de supostos elementos radicais da comunidade Muçulmana, precisarão tomar medidas draconianas contra todos, tudo em nome da segurança nacional.

Levou décadas para que o governo Norte Americano reconhecesse e se desculpasse pelos campos de concentração, oferecendo reparações financeiras simbólicas aos sobreviventes Japoneses.

Quantas décadas você acha que levará para que precisemos pedir desculpas e realizar reparações aos Muçulmanos? Pense nos exemplos que a história nos proporciona, não podemos mais repetir os mesmos erros.

Discursos como o de registro de Muçulmanos, construção do muro na fronteira com o México, políticas agressivas anti-imigração, podem ser responsáveis por impulsionar novas atrocidades nos dias de hoje.

Podemos estar na pós-modernidade, mas o século XX não saiu de nós.

Fontes:

Washington Post — George Takei: They interned my family. Don’t let them do it to Muslims.

Mike Shinoda discusses his song Kenji and racism — Fort Minor — London — September 2015

Kenji — Fort Minor

Hirabayashi, Ph.D., James (1994). “”Concentration Camp” or “Relocation Center” — What’s in a Name?”.

https://en.wikipedia.org/wiki/Manzanar

https://en.wikipedia.org/wiki/Internment_of_Japanese_Americans