querido melhor amigo,

Só assim mesmo para eu acordar pra vida real; necessitei fugir do que mais me aprisionava a esta amizade maldita. Primeiro ameacei fugir de você, que me acorrentava aos teus vícios – alguns eram visíveis, tais como o egoísmo e o egocentrismo. Outros nem tanto, como o parasitismo. Para mim, isso não passava de ilusão. Para outros, uma realidade tão explícita, que faltam-me cuspir na cara.

O primeiro passo a descobrir-se, é aquela melhor amizade na pré-escola. O coração chega borbulhar em níveis absurdos, as mãos gelam, e ao chegar em casa o assunto nada se refere à escola, mas à Maria que vestia rosa e eu não.

Hoje aos 21 encaro a melhor amizade como um vício. Posso observar a minha com João*, que visto de fora éramos quase irmãos. Eu sempre centrada, mas ele... ah, ele costumava gritar aos quatro cantos como é egoísta e mandão! Brigamos, e como de costume nos filmes americanos, separamos nossas coisas em caixas – algumas físicas, outras internas.

Depois disso decidi que só assim mesmo para eu acordar pra vida real. Joguei fora tudo o que me remetia a aquela amizade que só me doía à alma e arrancava de mim os sentimentos mais nobres. Sobraram algumas muitas coisas, mas isso a gente apaga, é só excluir o ícone do facebook e whatsapp do iPhone.

No mais, podemos alimentar sentimentos saudáveis em relação a tudo isso que se foi. De longe pode ser quente e saciável, de perto nada mais é que frio e palpável.

*nome fictício

> 19/set/2015 <

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