te lembra?


Te lembra daquela carta

de sexta à noite?

Era primavera.

Tanto passamos, escrevemos, vivemos.

Te lembra de quando nos prostramos

à margem das máculas

daquele rio que corria?

Era domingo.

Nos olhavámos com sede de amor

e justiça.

Te lembra dos costumes

que tínhamos ao acordar?

Era você

que me dizia que a noite era

tão fria a ponto de

me agarrar e nunca mais soltar.

Te lembra por onde é que andarás?

Era inóspito.

Tanto eu poderia escrever se só pudesse

te olhar.

Te lembra desse amor diametral?

Do rio que corre e corta a margem

de mim.

E de nós.

Te lembra pra nunca mais esquecer.


23/setembro/2016

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