Depois de velha, aprendi a andar de bicicleta

Antes tarde do que nunca, pensei quando consegui equilibrar-me pela primeira vez em uma bike, já com meus vinte e sete anos. Fiquei verdadeiramente maravilhada por finalmente ter conseguido subir e pedalar. Apesar da singeleza do feito, senti-me intensamente grandiosa, capaz de tudo! Foi como se, depois de muito tempo, morando na mesma casa, eu tivesse entrado pela primeira vez em um cômodo que antes estava trancado. Vocês podem pensar: ‘’Que coisa idiota!’’, ‘’Grandes merdas’’, mas acreditem, não é todo dia que enfrentamos um medo, e mudamos algo.
Durante o processo de aprender, não caí nenhuma vez, mas lógico, bambeei. E eu, logo eu, que sou envergonhada em público, não me abalei com os olhares curiosos, que não chegavam a ser de maldade, mas que desconcertavam mesmo assim, que me lançavam todos os que me viam naquela situação um pouco embaraçosa, eu diria. Mas até isso, até os olhares, me deram um certo sentimento de realização do tipo ‘’pois é, estou tentando’’, e foi aí que minhas pedaladas deslancharam, e eu me vi, como se flutuasse fora do meu corpo, andando de bicicleta pela primeira vez! E foi mágico!
Já em casa, com a dulcíssima lembrança dos pés nos pedais, e um pulsante sentimento de felicidade genuína se alastrando pela alma, repensei todas as coisas não realizadas da minha vida, sob o pretexto de que eram ‘’impossíveis.’’ Será mesmo? Talvez o impossível pensado esteja em um trauma, em uma desilusão, em um tombo, ou apenas em uma imobilizadora preguiça de nossa parte.
Mas é certo que, sou defensora de que nunca devemos deixar essas vontades pra lá; cada pequeno sonho realizado pode ser tão extraordinário quanto um desejo de grande porte!
Já eu, cada dia, pedalo mais…
