Perdi meu amor pra depressão
Se você chegou até aqui, é porque o título te interessou. Mas já vou avisando: o assunto é delicado. Falar sobre o amor nunca é fácil…

Quer continuar? Ok. Vamos lá.

Em julho de 2014 comecei a notar algo diferente em mim. Eu, que sempre fui tão alegre e extrovertida, estava reclusa, pensativa e, às vezes, chorava do nada. Um choro doído, desesperado. Choro parecido a ele só quando perdi minha avó. E eu namorava. Namorava há três anos e meio. Um relacionamento estável, feliz, apaixonado. Cheio de cumplicidade. Sabe aquele casal de propaganda de margarina? Então. Éramos nós.
Os dias tristes passaram a ser algo constante na minha vida. A tristeza começou a tomar conta de mim e, cada vez mais, eu me afastava dos amigos, dos meus pais e também do meu amor. Tornei-me uma pessoa difícil de conviver. Eu não me interagia, não achava mais graça em nada. Levantar da cama era um sacrifício enorme.
A cada dia eu submergia no meu mundo particular. Foi aí que percebi que algo de errado estava acontecendo: quando ele, meu amor, gritou comigo pela primeira vez e levantou a possibilidade da depressão. Depressão? Tá louco? Isso é coisa de gente doida, de gente fraca, de gente sem caráter, sem Deus…
Sim, eu estava com depressão. Após perceber o sofrimento dele em tentar me fazer ficar bem, resolvi procurar ajuda médica. O primeiro sacrifício foi deixar todo o preconceito que envolve a doença e aceitar que eu precisava me tratar. Meu amor marcou a consulta, conversou com meus pais, conversou comigo e eu soltei a mão dele.
Eu o mandei embora da minha vida. Não aguentava mais vê-lo sofrer. Ele sofria por não saber lidar com a situação, por tentar de tudo para me alegrar, mas nada parecia ser eficaz. Já ouviu falar que deixar a pessoa ir também é uma prova de amor? Foi o que eu fiz. Por mais que ele tivesse relutado em me deixar, eu o forcei a fazer isso. E foi aí que eu errei.
Comecei a me tratar sozinha. Não tinha coragem de contar para ninguém sobre a minha doença. O que os meus amigos iriam pensar? Eu não queria nem imaginar. Durante muito tempo me mantive em silêncio. Como eu não tinha mais o meu porto-seguro ao lado, então, precisei desabafar com algumas pessoas. Foi a melhor coisa que eu fiz. Pesquisei muito sobre o assunto e decide me tratar direitinho. Voltei a estudar (forçada). Afinal, eu precisava me ocupar, procurei praticar atividades físicas e, no meio disso tudo, eu magoei meu amor, eu o afastei de mim. Tudo ainda era muito novo e confuso.
Por mais que eu o tivesse mandado embora, ele estava sempre por perto, mesmo que magoado. O tempo passou, o tratamento continuou e hoje eu estou completamente curada. Não me sinto mais a pior pessoa do mundo. Os pensamentos negativos sumiram da cabeça, a vontade de viver está de volta. Mas ele não. E isso dói todos os dias. É como uma ferida que não cicatriza.
Perdi meu amor para a depressão. Eu o perdi porque fiz coisas. Porque falei coisas das quais eu choro todos os dias. Venci a doença, mas agora tem um espaço vazio no meu coração. E sigo aqui, na esperança de que o coração dele seja curado e que eu tenha o meu perdão.
Perdi meu amor pra depressão e, por um segundo, quase perdi a vida. Não desejo que ninguém passe por isso, ainda que seja para aprender. Eu, que sempre julguei as pessoas que tinham essa doença, hoje vejo que é muito fácil falar sem conhecimento. Quer um conselho? Não julgue ninguém. Estenda a mão. E o mais importante: não solte a mão de quem quer estar ao seu lado.
Atenção! Se você conhece alguém que esteja passando por isso, ajude-o. A pessoa nesse momento não tem discernimento para perceber que está doente. Ajude-o, pois esse quadro é totalmente reversível. Mas, se a doença tomar conta, pode ser tarde demais.
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