Vivendo numa bolha dentro do Brasil

Há duas semanas atrás, eu pude acompanhar uma pesquisa etnográfica em São Luis do Maranhão. O público da pesquisa era muito diferente de mim, branca, carioca, privilegiada. Eram famílias de áreas simples do Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Aquelas "poucas" 8 horas de pesquisa foram capazes de transformar a minha percepção sobre a vida. Vocês podem me achar ingênua, mas por mais que eu soubesse, eu nunca tinha percebido o mundo como injusto. Aquele dia eu entendi. Eu senti na pele o que era não ter escolhas.

Aquele dia eu ouvi a rotina de uma mulher consciente e, muito, batalhadora, mas que não teve muitas opções. Ela preferia trabalhar das 18h as 2h e acordar as 4:30h pra poder levar e buscar o filho dela na escola durante o dia. Aliás, preferia não, ela precisava. Aquela senhora levava o filho, esperava 5 horas na porta da escola sem fazer nada e trazia ele de volta. Por quê? Porque era muito caro ir duas vezes por dia até a escola. Ou seja, ela era obrigada a uma qualidade de vida "complicada", porque não podia pagar esse transporte duas vezes ao dia.

Pois bem, voltei de lá, quis chorar. Quantas vezes a gente não reclama de detalhes das nossas vidas e nem entende que a maior parte do Brasil vive em situações precárias, piores que a dela, inclusive?

E aí? E aí a vida acontece, a gente volta pra bolha, prospecta viagens, planeja morar fora, toma café, almoça e janta fora de casa. E aí que aquela sensação que fez doer na pele passa.

Bom, nem um mês depois, eu tenho a oportunidade de ajudar um pouquinho mais. Para além dessa experiência no Maranhão, muitas famílias não têm nem onde morar. E por isso, a partir de hoje, eu me envolvi em um dos projetos do TETO. Pra quem não conhece a ONG, pode clicar aqui. Mas eu preciso de ajuda para viabilizar o projeto. É preciso juntar R$ 7000,00 (sete mil reais) em um mês.

Eu imagino, que assim como eu, muita gente também sinta a urgência de ajudar, mas não saiba por onde começar. Acho que ajudar a construir uma casa para alguém pode ser um belo começo. Então, quem se identificar com a causa pode contribuir com qualquer valor a partir de R$ 5,00 (cinco reais) entrando nesse site aqui.

Isso não é suficiente para resolver a situação que a gente tem hoje no país. Mas pra algumas famílias, dá pra mudar a vida. Obrigada Maria(nome fictício) por me permitir entrar em sua casa, viver a sua rotina e sair um pouco da minha bolha. Vou buscar me manter fora dela.