Drops: sobre sentir um vazio por não sentir mais dor

Depois de um certo (tanto) tempo, redescobri que posso fazer o que quiser de mim. Entendo que soará, no mínimo bizarro, mas que quero dizer que posso ser o que quiser. Assim como não ser, não estar. Talvez até, não sentir. Mas nesta liberdade que se apresenta, nas desamarras psíquicas de velhos hábitos (muito ruins), sinto-me nova e renovada.

Claro, as feridas ainda doem. E como nunca antes, tenho casquinhas na alma que ainda insistem em sangrar. Tenho arranhões que passam horas ardendo no coração, e quando alguém novo se aproxima, é como se apertassem o pus de uma ferida braba e dolorenta!

Mas mesmo com estas dores, e com o analgésico do tempo e de algumas distrações, sinto que já posso ousar em novos sonhos. Ainda que sejam apenas sonhos, espectros coloridos e bruxuleantes de pseudo vontades ainda dormentes no meu interior. Mas já são mais sonhos do que pesadelos.

Já são mais coloridos, do que cheiram ao úmido e ao sombrio. E com isto, trazem um certo alívio. Alívio daquilo que ainda dói, mas como diria meu irmão, especialista em exercícios físicos de alto impacto e rendimento, a dor faz parte da criação de mais fibra muscular. Você se esforçou demais. Foi ao limite de onde deu, agora é deixar o espaço para criar mais fibra. Ficar firme, pegar sustância!

Esses dias teria feito um ano.

Hoje, já não faz mais tanto sentido. Na verdade, faz algumas semanas que já me sinto livre de certas amarras, e com isto, voltei a sonhar. Ops! Isto já comentei, mas também voltei a dormir bem, sem sentir o cheiro da roupa de cama, sem sentir o calor do corpo ao lado. Sem sentir falta daquele espaço, que não é mais habitado por ninguém.

Mas sonhar é muito bom. Ainda tenho a pretensão de ir além. De dormir lindamente e imaginar que tudo está bem. Que, de fato, as coisas caminhar para a paz e o aprendizado mais singelo, sem sofrimento. Hoje, o que rodeia a minha mente, são apenas fragmentos do que foi, e não mais o que poderia ter sido. Dormir comigo mesma, e ninguém mais.

Acho que a esta altura, todos que me rodeavam devem estar melhores agora. E acho que eu também posso estar. Talvez me permita não mais recolher caquinhos do que se foi, e sim, mandar bala numa bela duma faxina, ainda que doa bastante. Mas já não arranca-se mais o folego na unha, feito cravo ou espinha na ponta do nariz.

Um desabafo. uma constatação. alívio.

espero que dure mais tempo desta vez!