Incógnita do sentir

Um dos meus livros favoritos tem a seguinte citação: aceitamos o amor que achamos merecer. Talvez seja verdade, mas está longe de ser correta. O amor devia ir além dos nossos desejos pessoais, amar alguém é querer o bem dela sem necessitar de mais nada. Não importa quem estará ao lado dela. Não importa onde ela vai ficar. Não importa como ela vai estar. Só importa a felicidade. E isso é uma das coisas mais difíceis de conseguir fazer. Infelizmente formos doutrinados a confundir o amor com sentimento de posse, pobre de nós acharmos ser dono de alguém. Na realidade, todo ser é livre e dessa maneira enclausurar não é uma atitude bem vinda. Os sentimentos são individuais e por isso devem ser sentidos dessa maneira, sem cobranças a outra parte. Não é porque você ama alguém que o sentimento necessariamente deva ser recíproco, aceite e lide com isso. Não me faz sentido algum usar termos como “para sempre” ou pronomes possessivos pra se referir a um sentimento tão nobre e tão livre. Devíamos ser educados a procurar uma serenidade no amor em vez de romantizar a dor, o sofrimento, as feridas. Amor não deve doer, deve abraçar. Fora que, além disso tudo, como saber se amamos alguém? Quem foi que determinou o que é amar alguém? E se eu amo de forma diferente de você, como saberemos as medidas do amor? Os sentimentos são efêmeros, as pessoas passageiras, o que é hoje pode não ser amanhã e como poderíamos achar por um segundo se quer ser dono de algo? tudo é o agora, o depois talvez não exista.

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