O drama de ser sozinha

Hoje me senti só. Talvez semana passada também, mês passado, ano passado. O que importa é que em algum — ou vários — momentos eu me senti sozinha. Eu tenho sempre pessoas ao meu redor, em grande parte incríveis, a todo tempo interagindo comigo, mas há dias em que tudo me parece vago, vazio e superficial. há dias que tenho a ideia de que todos estão seguindo suas vidas com suas devidas companhias e eu apenas sirvo de expectadora. Existe um medo descomunal dentro de mim de em algum instante eu ter a constatação que de fato estou sozinha no mundo, de fato não há mais ninguém a recorrer seja para um café ou para resolver um crise enorme.

A partir desse medo (idiota) eu passo a entrar em desespero e tento explicar para as pessoas que eu amo repetidamente o quanto isso me machuca e me sufoca. Claro que muitas vezes veem como um exagero, afinal de contas eles não vão sumir como em um estralo de dedos, mas na minha cabeça, naquela exata hora, todos são suscetíveis a me abandonarem por qualquer motivo tolo. Daí é claro que as paranoias surgem e eu me sinto mais sozinha ainda quando não consigo expressar o valor dessa sensação e passo a estar em companhia da querida ansiedade que entrou na minha vida sem autorização a alguns anos.

A esse ponto do texto eu já estou me avaliando como extremamente dramática e hipócrita uma vez que não sei lidar com cobranças de afeto e presença. Pra mim tudo tem que ser dado por vontade própria, se não perde o sentido. E não é como se eu não recebesse esse carinho, o que torna meu medo mais estranho e sem sentido ainda. Nunca consigo explicar pra ninguém o quão conflituoso é sentir isso e termina virando lagrimas nos 40 minutos de terapia junto com um nariz totalmente entupido.

Cansei de cansar as pessoas falando sobre essa preocupação de estimação que anda comigo por todos os lados e resolvi escrever pra mim mesma — ou pra você aí que se identifica — que tudo se resolve com sorvete de flocos e uma ida à praia.

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