Venenos bons

O tempo era frio mas a tequila executava muito bem sua função e por dentro eu era preenchida pelo seu ardor, o cigarro anestesiava melhor que qualquer remédio e de todas as toxinas presentes nele, nenhuma era como a sua. Meu corpo estava frágil e você tomou conta dele tão rápido como o piscar dos meus olhos, minha mente bagunçada não foi capaz de reconhecer o perigo que te acompanhava, fui pega.

Por que diabos você se meteu em mim? — me pergunto toda vez que te vejo.

Treinada durante anos a fugir, reprimir e congelar desde os mais simples aos mais complexos sentimentos, me vi derrotada diante dessa confusão mentolada. Esses gostos desconhecidos misturados com os cheiros embriagantes produzem um efeito colateral maior que qualquer prozac com vodca. Tudo isso se oculta entre uma enorme neblina da minha consciência.

Será se eu estou fazendo a coisa certa?

Adoraria que seu sorriso não me confundisse ou que seu jeito de se mover não interferisse no meu processo racional. Você bagunçou o que já estava arrumado, como ousa? Como você pretende lidar quando ouvir de mim meus sentimentos? Se for pra fugir, faça isso agora. Não é justo com ninguém jogar com algo tão particular, algo tão intimo. Vá, fuja, eu sei que é o que você quer (não sei se digo isso pra mim ou pra você).

Mas se não quiser ir, fique — por favor, fique.

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