Nossa história não é nosso código

Não preciso ir muito longe: meu avô, a um mês de completar 93 anos, compartilha suas memórias do tempo em que Campinas possuía 2 times de futebol, white e black. Obviamente, os nomes dispensam explicações.

Ele lembra que no largo Carlos Gomes, onde tem o coreto, os brancos frequentavam o lado de dentro, ao passo que os negros rodeavam a praça.

Pra quem gosta de música, o documentário do Keith Richards (Rolling Stones) remonta à história do blues e, consequentemente, da segregação racial nos Estados Unidos. Foi preciso que garotos branquelos e esquisitos viessem da Inglaterra para colocarem um negro cantando blues na tv.

Negros, mulheres, judeus, gays, pobres, os exemplos não param. Para cada grande área do preconceito, surgem montes e montes de bolsonaros, vomitando tradições, regras aristocráticas ou qualquer outra bobagem que mantenha o gado no caminho do bem. Só tem uma coisa que eles ainda não entenderam: não é porque sempre foi assim que está certo, que temos que fazer o mesmo para sempre.

Houve um tempo em que ter escravos não era problema. Não podemos olhar pra trás para andar pra frente, nossa história não é nosso código.

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