Calor da Rua (UX/UI) — Tera UX bootcamp

Luis Paulo Fernández
4 min readJun 29, 2020

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Este artigo é referente ao projeto que desenvolvi no curso da Tera, ministrado por diversos profissionais da área do design.

O contexto

Uma pesquisa realizada pela prefeitura de São Paulo estimou que em 2018 existiam 20.000 pessoas em situação de rua na cidade. Esse dado gravíssimo fez com que a rede ECOS idealizasse um aplicativo que tem como principal objetivo mapear essas pessoas através de um questionário qualitativo, dando visibilidade e voz as essas pessoas, ou seja, de acordo com a rede, fazer um censo com bom senso.

O projeto e aplicativo criado por eles foi nomeado Calor da Rua, uma parceria de 42 projetos convidados e 525 voluntários, criando um ecossistema de projetos sociais trabalhando juntos. Assim, durante o projeto tivemos como lema “é preciso ouvir e evoluir com as ruas” e então transformar esse número para 20.000 histórias a serem contadas.

Qual a proposta?

O aplicativo tinha como objetivo construir uma base de dados atualizados e humanizados para obter aprendizados que possibilitem ações mais assertivas e propositivas ajudando tanto a voluntários quanto aos moradores.

Quem utiliza?

Era utilizado basicamente pelos voluntários e donos das ONGs durante suas ações em campo captando os dados. Sendo assim nossa persona foi inspirada em quem já utilizava o aplicativo Calor da Rua. Durante nossas conversas e entrevistas ficou claro as suas dores e motivações.

Persona

Como utiliza?

Fomos a uma pesquisa de campo para entrevistar e entender melhor seu uso. Junto a um projeto parceiro, passamos uma noite fazendo e entregando marmitas no centro de São Paulo e coletando informações.

Nesse dia específico não pude participar, mas ai estão identificados 4 dos participantes do grupo.

Durante as pesquisas descobrimos alguns problemas relatados pelos voluntários, cada ONG trabalhava em um contexto e captava as informações como podia, nem sempre era possível completar todo o questionário ou ainda usar o celular durante uma ação. Alguns ainda não se achavam preparados para fazer algumas das perguntas sensíveis existentes. Também vimos que era preciso dar mais foco à visualização dos dados inseridos e ao mapa presente no aplicativo. Até o momento só apontava a localização de alguns moradores de rua, sem permitir outro tipo de interação, as informações cadastradas não eram apresentadas.

Jornada de uso por um voluntário no aplicativo e suas dores.

Insights

Com todo esse material em mãos e informações adicionais, concluímos que as pessoas em situação de rua normalmente têm barreiras criadas pelo ambiente rude em que vivem. Quando se demonstra respeito e dedicação, com o tempo, é possível ganhar a confiança dessas pessoas e isso é primordial para obter informações sensíveis sobre elas. Uma abordagem mais informal e sincera também ajuda para estreitar essa relação.

Soluções

Visando a usabilidade, criamos um botão principal que facilitaria o acesso as duas soluções propostas por nós.

Questionário modular
Cada ONG possui um objetivo e trabalha de uma forma diferente, algumas eram formadas só por psicólogos, outras eram responsáveis só por entrega de comida ou agasalhos.. Fazendo com que nem sempre um formulário único e estático conseguisse ser viável. Pensamos então em dividir as perguntas em módulos que pudessem ser filtrados conforme a área de expertise correspondente a cada ONG, composto por respostas objetivas, interações simplificadas e perfil editável, permitindo uma leitura dos dados.

A identidade visual foi em sua maioria desenvolvida por um dos integrantes que era diretor de arte, porém as funcionalidades foram discutidas e desenvolvidas juntos.

Rede de apoio
O mapa principal antes mencionado pelos voluntários, agora permitiria que registrassem locais importantes para assistência em diferentes assuntos, como centros de saúde, acomodação, assistência psicológica, alimentação, entre outros, e ampliar a atuação do aplicativo para além da capitação de dados, tornando-o uma ferramenta de apoio mais abrangente tanto para os voluntários quanto para a população em situação de rua.

A identidade visual foi em sua maioria desenvolvida por um dos integrantes que era diretor de arte, porém as funcionalidades foram discutidas e desenvolvidas juntos.

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Luis Paulo Fernández

Formado em design gráfico, sempre trabalhei com editorial e atualmente com produtos digitais. Tenho estudado user UX para proporcionar boas experiências.