Mas o que é essa disrupção que só falam disso?

Se tem duas coisas que o jovem profissional ouve falar nos dias de hoje, essas coisas são startup e disrupção. E eu, como muitos, não estava compreendendo o trend do novo termo e danei a ler alguns textos pra poder me auto-explicar o que seria a disrupção. E por consequência, vou compartilhar o que compreendi a respeito.

Mas o que diacho é disrupção?

Sabe quando a gente mandava SMS lá em 2010 e pagava uns R$ 0,50 centavos por cada mensagem trocada? E aí de repente alguém tem a ideia de criar um aplicativo e te”chama no Zap”, permitindo trocar mensagens infinitas sem gastar a mais por isso.

De certo modo, o Whatsapp questionou um processo existente e estabelecido (o de pagar para trocar mensagem) e tornou isso numa vantagem competitiva (o de não pagar por mensagens).

Enquanto as empresas grandes já consolidadas estão mais preocupadas em criar novos produtos e melhorar os já existentes, as empresas disruptivas querem te levar para outra realidade, de um consumo diferente, questionador, enxuto e mais barato. Questionador quando a uma empresa, por exemplo, passa a ignorar um recorte do público por não ser atraente financeiramente, e simplesmente não o lê. Exemplos disso podem ser desde uma loja de roupas que quer filtrar seu público alvo e eleva o preço de suas peças, passando por uma marca de maionese que só usa ingredientes requintados a prestadoras de serviço de internet que não disponibilizam sua cartela de produtos em totalidade para todas as regiões (alguém que mora um pouco mais afastado de um centro urbano tem fibra ótica? Eu sofria em Duque de Caxias com isso).

A disrupção de maneira nenhuma quer bater de frente com um gigante já consolidado. Ela quer pegar os furos que a empresa grande não lê e não atende e criar uma experiência nova para esse público. Assim, criando um novo mercado e chacoalhando o já existente.

Criando novos Mercados

A disrupção, acima de tudo, cria um novo mercado. Como por exemplo, o Netflix: o serviço está fazendo 9 em cada 10 amigos meus assinarem o serviço de vídeo, atendendo bem às suas demandas de entretenimento e fazendo uma parcela de pessoas que não queriam ou conseguem assinar TV a cabo, assinarem o serviço. E por apenas R$ 19,00 por mês, tem investido em uma grande quantidade de conteúdo exclusivo. Isso tudo enquanto as grandes operadoras de televisão estão cada vez mais caras e fazendo novas parcerias com canais grandes.

A disrupção é cíclica

O que define que uma marca é grande e estabelecida em comparação a outra? O seu crescimento e estabilidade. Em algum momento da empresa, ela não se sustenta mais em ser pequena e precisa crescer. E aí ela começa a seguir o fluxo das empresas já estabilizadas, que passa a ser somente manter o que já existe e acrescentar a isso. O Whatsapp e o Netflix deixarão de ser o disruptivo e passarão a ser o consolidado e o normativo já já, assim como outros formatos do passado (como a TV a cabo e a mensagem SMS). E aí uma nova onda de disrupção surgirá.

Um exemplo disso são a relação das máquinas de escrever com os computadores: em algum momento as máquinas de escrever agilizaram a experiência de escrever, mas depois da consolidação do computador, ele não era mais novidade. E logo em seguida, os smartphones se tornaram a competição inesperada para os computadores.

Mas não é só a respeito de tecnologia e aplicativos

Apesar deste ser um termo que está em alta quando se fala do mercado de tecnologia, a disrupção não está somente na tecnologia. Uma vez no Rio de Janeiro, uma amiga me chamou pra comer numa loja de hambúrgueres veganos, e eu nem sou um. Fiz cara feia, mas fui. Era delicioso demais e voltei depois. Era o Hare Burguer, que cresceu assustadoramente de uns dois anos para cá, e agora já tem franquias em São Paulo. Eles entenderam um nicho esquecido e não competiu diretamente com grandes empresas durante seu crescimento: ninguém fica em dúvida se quer ir ao Burguer King ou ao Hare Burguer. Ambos tem suas vantagens de forma diferente

E assim como ter uma assinatura do Netflix não te impede de ter uma da TV a cabo da Net, nada impede que um dia alguém coma nos dois em dias diferentes da semana (não precisa ser vegetariano, é delicioso lá :P). Outra marca nessa linha é a Lola, uma empresa de cosméticos que uma amiga minha aderiu por não usar insumos de origem animal e me falou sobre.

Resumindo, o processo de disruptura (alô Aurélio, agregar a palavra ao dicionário de português), está muito mais relacionada a quebrar grandes processos e experiências de consumo já existentes. E o viés usado para isso é a leitura de esquecidos e a não competição com os gigantes do mercado. Se você encontrou algo e quer saber se ele é disruptivo, faça essas duas perguntas: é um excelente ponto de partida para questionamentos do que tá por aqui de baixo do nosso nariz hoje e pro que vai vir de novidade amanhã.