EM TEMPO. Sobre o resultado da triagem do Canto Missioneiro da Música Nativa:
Eu amo música nativista.
Foram alguns festivais nativistas no lado dos bastidores (Carijo, Barril, Coxilha, Canto de Luz, Canto Nativo e até mesmo o Canto Missioneiro), sendo reportando, ou acompanhando. Depois, por um bom tempo, coordenando o programa Hora do Mate, do DTG Vaquenao Blau Nunes, e posteriormente, analisando letras no “Proseando com os versos”, do Programa Ao Sul Programa Ao Sul do Mundo (UFSM). https://www.facebook.com/programaaosuldomundoufsm/ (CURTAM).
Já faz um bom tempo que ando longe dos festivais, ainda nem sei quem serão os intérpretes do Canto Missioneiro, mas o que posso dizer é que gostei muito do resultado da triagem. A comissão organizadora e os jurados estão de parabéns.
Quem acompanha festivais bem sabe das correntes (?) existentes, cada um tem suas características e também uma linha que é seguida por quem inscreve as canções, e o corpo de jurados faz toda diferença no resultado da triagem.
O Canto Missioneiro está com uma lista de composições bem diversificada, e de PESO. Tem nomes novos, outros importantes para o cenário dos festivais e músicos premiadíssimos. Há figurinhas bastante repetidas, mas de talento indiscutível (especialmente para uma mera leiga no cenário musical).
Não posso falar de todos, até por nem conhecer alguns (pardon me), mas festival que tem Gujo Teixeira e Zé Renato Daudt na suplência? (dá um google, please). Isso não é uma crítica, o que quero dizer é que não consigo imaginar uma letra deles ruim, então, evidentemente que se usa como base ou parâmetro.
O que podemos esperar da parceria (de sucesso, diga-se de passagem) de Claudio Heinke e Jean Kirchoff? Eles que já ousaram nas obras e premiaram, com letras que abraçam a identidade missioneira e melodias fora do convencional?
Guilherme Castilhos e Piero Ereno, dois músicos que há muito vem recebendo prêmios,* estão com melodia no festival. Outro instrumentista com nome bem conhecido na região é Halber Lopes. Castilhos é novo, e vem papando festivais nos últimos anos.
Já o Piero Ereno,* vem em uma parceria com o Rodrigo Bauer, letrista que escreve com sobre o campo como poucos. Neste ano, Bauer gravou uma música com o Mano Lima, e foi o compositor da música tema dos Festejos Farroupilhas. Vencedor de festivais como a Califórnia da Canção Nativa, a Sapecada da Canção, a Moenda, Um Canto para Martin Fierro, entre vários outros, eu acho ele foda.
Rômulo Chaves (Bruna Siganski Chaves Rômulo Chaves), compositor de uma sensibilidade imensa (que eu sou fã pela pessoa excepcional), e que inclusive já venceu o Canto Missioneiro (Canto de Luz, Canto Nativo, Moenda,…), vem em uma parceria com Araken Maicá, nome conhecido na Capital Missioneira, traz o peso do sobrenome, e até já avaliou o festival.
Outro letrista que já ponteou várias canções em festivais, e que colocou música no Canto Missioneiro, é Binho Pires. Sua parceria com Erlon Péricles rendeu bons frutos não só no nativismo (dá para lembrar que juntos venceram o 2º Canto Missioneiro com a música “Fazendo Cerca”, e ano passado também estiveram com composição conjunta, se não me engano), mas também no projeto musical infantil “Aventuras da Terra Gaúcha”.
Gente, um dos maiores poetas gaúchos, Carlos Omar Vilella Gomes, vem com a melodia do Arison Martins (que é irmão do Emerson, eles trabalham com o Jean e Analise, e também já levaram a palco músicas que se consagraram). Sobre o letrista, eu não sei nem o que dizer sobre ele, conheci suas poesias através das declamações da Liliana Cardoso, e depois que fui ver as belíssimas composições, são demais.
Sem falar em Volmir Coelho né, bem conhecido no cenário dos festivais, que inclusive tem um CD gravado só com as músicas que ele participou em competições. Minha preferida é “Prá lá do QUinto Distrito”, bem famosinha, é da Vigília de 2005.
Na fase local, nomes conhecidos da comunidade santo-angelense, mas não posso deixar de destacar o Renan, que por muito tempo acompanhei nos palcos de festivais, já levou prêmio de destaque no Canto Nativo, e sei da alegria de estar nesta lista seleta.
Infelizmente, são quatro festivais ocorrendo a partir do dia 14, o que vai dificultar a participação de muitos músicos que certamente não perderiam o evento.
Mas pela lista, espero um bom festival. É claro que, só nomes não podem imprimir boa apresentação. Tudo é momento. Lembrando que um bom intérprete pode fazer de uma música mediana, muito boa. E uma má interpretação pode acabar com uma composição excelente.
*Correção feita, conforme fui alertada. Me equivoquei ao informar: A Melodia do “Pingo do Capitão” não é do Piero Ereno, e sim do Ângelo Franco, que assinou a letra trombém.