O Santo que derrubou a cerveja

Tenso, Juan Valente (nome fictício) acompanhava seu Barcelona. A fisionomia fechada, séria, por conta dos dois gols sofridos ainda no primeiro tempo. No intervalo, sentado a oito metros do gol defendido por Banguera na primeira etapa o fez observador previlegiado dos fatídicos (para ele) dois gols. O cachorro quente do intervalo parecia menos saboroso do que de outras vezes. A cerveja não lhe fazia bem. Estava estressado. Seu amigo, corpo franzino, nariz destacado e cabelo cor de mel falava sobre tudo. Juan nada entendia. Pensava em como a bomba de Edilson passara e afundara as redes.

Pediu Marcos Caicedo, gritava o nome do extremo barcelonista e parece que o técnico Almada ouviu seu anseio. Criou expectativas. Quem sabe um gol aos 5, outro aos 20 e mais um aos 45. Seria uma virada épica.

Eis que a bola é passada na ponta direita. O estádio se levanta. Juan, seu amigo e mais de 55 mil barcelonistas gritam: “Cruza essa bola, porra”. O cruzamento vem, Damián Diaz, craque da equipe, até então sumido, desvia, ela passa por Kannemann, Geromel e chega a Ariel.

Juan para, olha o cronômetro, três minutos de segundo tempo. Está aí o gol da retomada, do início da virada que entraria para a história. “Explode essa bola e afunda a rede, argentino!” pensou nos milésimos de segundo que teve entre o desvio e o chute de Ariel. Vibrou. Não, o gol não havia saído. Mas como? Quem não deixou essa bola entrar, quem tirou a esperança dos barcelonistas?

Marcelo Grohe, no chão, com as mãos de Edilson sobre sua cabeça pensava em todas as críticas, em todos os questionamento que lhe fizeram durante seus longos anos de Grêmio. Criado na base, gremista, na dele, não guerreiro e viril como Danrlei, não pequeno e campeão da Libertadores e do Mundo como Mazzaroppi. Ele, Grohe, merecia isso. Juan não acreditou, tocou seu copo de cerveja no amigo e saiu do estádio. Sabia que não seria hoje o dia do Barcelona.

O Grêmio venceu, com a alma, com a determinação, com a sorte e com a técnica daqueles que são predestinados a terem sucesso. A receita do título o tricolor já tem. Resta saber se Grohe e os deuses iluminarão esse time.

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