Quando o copeirismo volta a reinar

O futebol que mais encanta o Brasil atualmente é feito por um time que por natureza é considerado “brucutu”, “violento” e que ganha na velha e boa “bola parada”. O Grêmio reinventou seu estilo de jogo. Apostou no toque de bola, preservação da mesma e triangulações para fazer gols bonitos e encantar o país.

Roger Machado assumiu o Grêmio em 2015 após a demissão de Felipão. O técnico campeão da Copa do Mundo de 2002, seguiu os conselhos do então presidente Fábio Koff e apostou na base. A equipe sem dinheiro para fazer contratações vistosas e que lotassem o aeroporto deu aos jovens a chance de brilharem no time titular. Pedro Rocha, Éverton, Walace, entre outros, surgiram com o lendário técnico gremista. Após os resultados negativos, Felipão acabara demitido e um jovem técnico, que já havia passado pelo próprio clube como jogador e auxiliar e também Juventude e Novo Hamburgo, assumiu. A pressão era grande e Roger soube como administrar e impor seu próprio estilo.

Treinamentos diferentes, cercados de um vocabulário até então inexistente para quem acompanhava o futebol aqui no Sul, se mostraram em campo. Os resultados vieram e a qualidade da equipe impressionava. O toque de bola, a presença tática, a recomposição e saída em velocidade, desde os volantes, que pisavam na área para marcarem gols até Luan, tão criticado e amado pela torcida, na nova função de falso nove. Tudo conspirou para o sucesso do padrão de jogo de Roger Machado. No ano seguinte, a situação mudou. A eficiência de anteriormente cedeu lugar a um time que tinha dificuldades na defesa, principalmente na bola aérea e falta de eficácia no ataque. De um técnico estudioso a um que “não estuda”. Renato Portaluppi, maior ídolo dos gremistas, foi contratado, cercado de desconfiança. A equipe que tocava a bola, seria agora uma que jogava por uma chance somente?

Com a capacidade de gestão de vestiário e inteligência para ver os pontos fortes da equipe já montada, Renato impôs seu estilo, sua força de comando, mas sem esquecer daquilo que a equipe tinha de melhor: a consistência e os tabelamentos. A defesa melhorou, a marcação tornou-se individual nas bolas alçadas à área, a equipe que antes tocava a bola lateralmente, ficou mais objetiva. Um título depois de quinze anos se aproximava.

Dentro e fora de casa, mesmo esquema, mesmo estilo. Pressão na saída de bola, retenção e controle. O adversário se irrita, às vezes fica de bobo no meio dos toques de primeira, a consciência e a sabedoria de onde cada companheiro estará. A Copa do Brasil coroou Renato, Roger, Felipão, Fábio Koff, a base do clube e, principalmente, Romildo Bolzan Jr, presidente que ajustou as finanças, geriu e gere o clube da melhor maneira possível, já entre as grandes figuras da história do clube.

“Quem precisa estudar, estuda, quem não precisa, vai pra praia, jogar um futevôlei.”.

Renato é ousado, tem as respostas na ponta da língua. Seu caráter engraçado, provocativo, mas que no fundo é muito inteligente, mostra que ele é um estudioso. Não dos livros, mas do futebol. Vê jogos, entende do riscado. Sabe como lidar, montar, ajudar uma equipe. Criticado muitas vezes, mas sempre respeitado, trouxe o velho e o novo Grêmio para um mesmo time. A equipe de 2017 está mais experiente, mais rodada, mais qualificada. Tenta ganhar em qualquer campo, contra qualquer adversidade, joga com a bola no chão, mas quando precisa é o velho Grêmio. Aquele da Alma Castelhana, do amor ao carrinho, do coração na ponta da chuteira, do número 10 que é o número 5. O Grêmio se redefine, o velho e o novo se unem. A combinação pode não dar os títulos que todos esperam, mas ela já faz história.

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