deus!, que insegurança! há tempos eu não me mobilizo e tento arrancar todas as palavras do meu peito, com força, com medo, desespero. tomo um susto com o vazio que agora tem vivido em mim… tudo me supre. um cansaço. mas me orgulho: sou forte, persistente, enfrento a vida com a cara disposta a todo tapa. corajoso como nunca fui — ou como não me lembro de um dia ter sido. vejo que agora meu coração se surpreende com a ausência que não vem sentindo; meio perdido nas curvas do caminho trilhado com pés cansados, descalços. onde foi que eu perdi a minha escrita? mas eu vejo que ela ainda vive no meu peito, ainda queima. vez ou outra a saudade me abraça e eu percebo a falta que me faz o soco no estômago que é existir. ah, eu quase havia me esquecido de como é prazeroso me sentir desassossegado pelas palavras formadas sílaba a sílaba pela razão e o sentimento que eu vomito aqui: não sei onde, aqui, simplesmente. aqui. o lugar onde tudo é uma surpresa e um frio na barriga. e então eu entrego meu coração embrulhado em uma bandeja e peço que arda, sorrindo, que arda sempre! e que eu seja sábio: que não tente domar o indomável e que me entrego a toda dor — e dor é isso, só o excesso, de alegria, de amor etc etc etc! tanta coisa! tanta coisa! meu desejo é que eu possa escrever todo o santo dia, assim que eu puder respirar de novo, que eu puder sorrir e viver sem culpa. o dia do meu crescimento será o ápice do mundo, pois, vejo com meus próprios olhos e o mundo só é mundo por mim, quando me atravessa; assim que cresço o mundo cresce, sábio, saboroso. a ignorância é esse mel doce que escorre pelos lábios.

desabrocha do meu sangue coagulado o meu perdão ao humano que perdura com crueldade e com fé no mal. quando vejo o sorriso de uma criança ou as dificuldades de um velho, a pele flácida e o rosto vívido e cheio de marcas do um dia foi seu sentimento. é tudo de uma sinceridade que traz inocência para o que é real. a insensatez é um soneto que flutua num mar de ácido sulfúrico. obrigado. amor? sim, sim, amo. e que arda, deus, por favor. agradeço, sorrio, dou um abraço na minha esperança e um beijo longo, me despeço, volte sempre — digo.

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