O amor não te torna um trouxa

Por mais que enxergar o trouxismo cause certa dor e constrangimento, encaremos a realidade.

Não é sempre que percebemos que estamos envolvidos numa relação em que fazemos uma porção de coisas que, geralmente, achamos ser por amor, enquanto estamos sendo simplesmente trouxas.

Primeiro, vamos falar do amor. Já dizia o velho livro:

Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.
Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas. Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.

Como podemos observar, as afirmações acima incentivam um tipo de relacionamento tão saudável, que é difícil desenvolver hoje em dia. Porque em termos bem radicais, o amor não torna ninguém, escravo emocional ou psicológico de outro alguém.

O amor, aquele verdadeiro mesmo, não te deixa cego não. Muito pelo contrário! Segundo o velho livro, ele te faz enxergar as coisas com clareza, e não te priva de desaprovar o comportamento de quem você ama. Esse amor gera uma certa inconformidade ao mesmo tempo que, acolhe e ajuda a melhorar. O amor tem compromisso com os processos de aprendizagem.

Ajudar a melhorar é um ponto crítico, pois é fácil confundir com a “síndrome messiânica” de salvar a pessoa. Não, o amor humano não salva ninguém, e amar alguém, não nos dá a obrigação, ou a responsabilidade de redimir a existência de ninguém. O amor bom, é aquele horizontal, que se coloca no papel de serviço buscando ajudar, acompanhar, impulsionar, inspirar, facilitar, o crescimento, superação etc da pessoa amada.

O lance de facilitar é outro ponto crítico. E é aqui que o trouxismo faz a festa. Facilitar a vida da pessoa que se ama não tem haver com dar tudo de mão beijada pra ela. Não significa alimentar a co-dependência, e muito menos fazer coisas pra evitar que a pessoa um dia não “precise” mais de você. Amar com sabedoria, não deixa as pessoas fragmentadas e acorrentadas a outra pessoa, mas estabelece e fortalece um relacionamento baseado na troca. E a gente só pode dar, pra trocar, o que já tem.

O amor também aguenta as barras. É verdade, mas depende as barras. O negócio é subjetivo entende? Não é um tratado que diz que não importa a situação, você não pode pular fora. Tem vezes que pular fora é um ato de amor, e tem vezes que permanecer é melhor. Depende da situação e dos envolvidos.

Resumindo: o amor não te transforma em um trouxa.

É triste nos darmos conta que estamos sendo trouxas. Aquela doação desmedida e desproporcional, a mania de estar o tempo todo disponível sem respeitar seu próprio tempo e espaço, nos tornarmos refém do outro, conferir ao outro a responsabilidade de cuidar de nós, a insegurança ao perceber que te restaram poucos relacionamentos além daquele que você se dedica, o medo da perda, a incerteza de saber viver bem sem esse alguém…
Vamos agir diferente, e descobrir o que é amar de verdade?

Eu penso: que utopia. Mas logo me questiono: é mesmo? Ou será que amar pra valer, a si próprio e ao próximo, daria muito mais trabalho?

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