Mais.

Esses dias lembrei da gente indo pra qualquer lugar. Você tava dirigindo e pediu pra eu escolher a música.

Eu já sabia o que você queria. Tem anos que eu decoro as suas músicas favoritas e você ainda se perde, se enrola na letra, troca as palavras, esquece a melodia.

Mas mesmo você errando eu sempre aprendo. É só te ver cantando que eu vejo que o alfabeto não é tão importante quanto o amor que a gente leva. Que pensar é melhor do que falar. Que inveja que eu tenho dessa sua calma. Desculpa por te tirar do sério às vezes.

Ei, só tem a gente na estrada. Acelera. Vai, eu prometo que não conto pra ninguém. Sem chantagem dessa vez. É, eu sei, eu menti da última.

Vamos no lugar que a gente disse que não ia? A gente toma aquele vinho. Depois a gente volta e diz que só tomou uma coca e comeu qualquer coisa, olha, tem até um papel velho do Burger King aqui. Eu sei que tô sendo cuzona, mas tem vezes que é melhor quando é só a gente.

Atende esse telefone vai? Depois eu que sou a cuzona. Queria saber como meu nome tá gravado na sua agenda de contatos, aliás, será que tá? Sete ligações perdidas e ainda não consegui te avisar que perdi meu voo. Depois não adianta reclamar. Tá, reclama vai. Eu gosto até. Como é bom te ouvir reclamar. Depois eu volto e reclamo igual.

Eu sempre acreditei naquilo dos opostos que se atraem, mas agora tão falando que essas coisas nunca dão certo. Que a gente tem que procurar alguém mais parecido. Me fala que isso é besteira. Que eles não sabem o que dizem.

Será que é por isso que a gente vive nesse vai e volta? Acho que a essa altura você já percebeu que eu não vou voltar de vez. O amor tem dessas, só amando do jeito que eu te amo pra saber que a distância faz bem pra gente.

Mas pode deixar que eu volto sempre. A gente faz de conta que essa passagem de volta não existe e que eu nunca fui embora.

Ah, só mais uma coisa: promete que vai lembrar do meu suco de laranja dessa vez?

Um beijo cheio de saudade.

Da sua filha,

Lu.