Voyerismo inocente

Eu sou uma pessoa observadora (e imaginadora). Talvez isso soe um pouco estranho para você, mas é a verdade. Já fui criticada, chamada de lerda, entre outros, por “perder” as novidades. Se tivesse um grupo de pessoas olhando para um determinado lado, certamente eu estaria olhando para o outro. O “problema” é: eu sou observadora das coisas insignificantes.

Pelo menos, das que são insignificantes para a maioria das pessoas. Gosto de olhar a disposição das pedras portuguesas na calçada, as paredes e muros antigos (não consigo deixar de pensar que há muita história neles), as folhas levadas pelo vento , as pessoas que passam apressadas e a vida e morbidez existentes em cada canto da cidade. Sempre gostei da ideia de ver beleza na feiura, a poesia das coisas desprezadas.

Muitas vezes me senti frustrada por apontar algo para alguém e a pessoa não ver o que eu via, ou melhor, como eu via. Então eu desisti de apontar e passei a guardar as coisas só para mim, pois era provável que só eu conseguisse ver a beleza daquilo. Ao percorrer meus caminhos no ônibus, gosto de observar as pessoas e, às vezes, o olhar de alguma delas cruza com o meu.

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