Entenda por que o conhecimento raso de Coaching e Psicologia Positiva pode ser uma (linda e alegre) armadilha nas nossas vidas!

Não sou eu quem afirma mas sim a pesquisadora Dra. Barbara Fredrickson da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill no curso (mais que ótimo) Positive Psychology, que qualquer pessoa com conhecimento intermediário da Lingua Inglesa pode fazer gratuitamente aqui.

Barbara desenvolveu um teste onde podemos mapear a razão entre emoções positivas e negativas (se você se garante no inglês pode fazer o teste aqui), mas atenção, fazer o teste apenas uma vez não é um bom resultado já que ele é um teste que avalia suas emoções apenas nas últimas 24h, a pesquisadora indica que o teste seja feito todos os dias (tente antes de ir dormir, é rapidinho) por pelo menos 1 (hum) mês para que se tenha uma amostragem razoável e ir registrando os valores em uma planilha, ao final do período, a média aritméticas dos valores será uma boa estimativa da razão entre emoções positivas e negativas que melhor representam o seu dia-a-dia, ela chama esse valor de Razão de Positividade [RP]* =Positividade/Negatividade, ou P/N ou ainda (de uma maneira mais lúdica)= :)/:( . (*Tradução livre )

Extraído do Curso de Positive Psychology pelo Coursera

Para que você entenda melhor o seu resultado, há três principais resultados que podem ser obtidos para a RP:

RP < 1-to-1 : esse resultado indica que a pessoa pode estar vivenciando uma patologia (como depressão, por exemplo)

RP ~2-to-1 : esse resultado indica que a pessoa pode estar vivendo uma vida sem muita novidade, “sem graça”, ou como diria uma grande parte de nós, uma vida “meia-boca” (a grande maioria dos americanos caem nessa faixa, ou pouco maior que 2)

RP >3-to-1 : esse resultado indica que a pessoa está em um estado de positividade adequado (3-to-1) ou melhor do que isso (4-to-1 para mais), usando um termo típico da área, em estado de “flow” ou de “florescimento”. (Entenda melhor sobre o Estado de Flow com o fundador do termo, Mihaly Csikszentmihalyi em seu TED talk, AQUI).

No entanto, não tente manipular o resultado para obter razões maiores! Barbara é muito enfática ao afirmar que não há nada de bom se a razão desse, por exemplo, 5-to-0 ou qualquer valor onde emoções negativas tendessem a zero!

Imagine uma pessoa que é sempre positiva e nunca apresenta emoções negativas, o que você imaginaria dessa pessoa? O filme “Happy-go-lucky” (esse é o termo em inglês para pessoas que apresentam esse padrão de comportamento) que foi traduzido para o Português como “Simplesmente Feliz” e fazendo uma busca pela tradução, olha o que eu encontrei no youtube! Esse tipo de comportamento em geral é considerado alienado e irritante pelas pessoas que convivem com uma pessoa “happy-go-lucky” :D

Barbara afirma que manter o número 1 no denominador (3-to-1; 4-to-1…) é o que garante nossa humanidade, nossa autenticidade e nosso senso de realismo na vida. Nesse sentido, é muito perigoso ter um conhecimento raso sobre essa área do conhecimento, ou simplesmente seguir aquelas pessoas que sobem em um palco e dão um show de palestra motivacional. Quantos de nós já vivemos a experiência de estar em uma palestra motivacional e a sensação de euforia durar apenas alguns dias ou semanas?

“Wooohoooo vamooooo!!!” (grito que em geral arrasta a “boiada” para um suposto estado de euforia positiva e que faz com que a pessoa entre em um estado de “transe” e queira comprar mais um curso, mais uma mentoria, e seguir mais um “happy-go-lucky” da atualidade do marketing digital, ou pior, assumir uma personalidade onde tudo é lindo e perfeito, o que é uma imagem que não corresponde a realidade! Cuidado com essa onda! ;)

Emoções negativas não podem ser vistas como algo a ser evitado, é preciso aprender a senti-las porque elas nos trazem perspectivas sobre nós mesmos e do que precisa ser transformado e/ou superado ou ainda ser “abraçado” como parte da nossa personalidade e valores, são elas que não nos deixam ficar alienados e facilmente manipulados por pessoas que entendem sobre como manipular emoções — atenção, muita atenção porque estamos vivendo um surto de “positividade” no meio digital! ;)

Imagem retirada de http://wallpapercave.com/sad-face-wallpaper

O mantra “seja positivo” pode ser alienante em alguns momentos, e nos fazer menos realistas frente a situações que exijam ação mais efetiva e imediata como agentes ativos, esperando sempre que algo aconteça. Além disso, também podemos nos tornar suscetíveis a toda a sorte de manipulação emocional que nos leva a tomar atitudes baseados apenas em uma fé inabalável que a positividade por si só, justifica investimentos astronômicos em cursos ou palestras motivacionais.

A pesquisadora sugere que troquemos o famoso mantra “Seja positivo!” (que muita gente adora postar no instagram ou facebook) para “Seja aberto!”. Seja aberto para aceitar os desafios, os percalços da vida, para vivenciar as emoções negativas quando elas surgirem e especialmente para identificar toda a sorte de bons momentos que a vida traz, mesmo em épocas de adversidades (como os pequenos prazeres da vida).

Não precisamos forçar positividade, apenas identificar esses momentos especiais que permeiam nosso cotidiano, e isso é treino (o nome da ferramenta usada para esse treinamento é a GRATIDÃO), sim, a Gratidão é uma ferramenta (eu ainda prefiro o termo tecnologia da Psicologia Positiva, uma das mais transformadoras, eu acredito.

O importante não é evitar emoções negativas, mas vivenciá-las, compreender sua causa primeira, e ser capaz de experienciá-las e voltar a um estado de “flow” de maneira rápida e saudável, e essa volta acontecerá tão rápido quanto a sua capacidade de encontrar no seu dia-a-dia, coisas simples que são dignas de gratidão (como ter um teto para viver, água tratada, amigos, etc etc).

Não, você não precisa (e não deve! não é saudável!) ser “feliz” o tempo todo! Pode relaxar e falar para aquele “happy-go-lucky” que você conhece que você não precisa usar a máscara “smile” para ser autenticamente feliz! :) ;) ❤
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