eu olho pra lua, através da minha janela e me dou conta da coisa mais preciosa da minha vida.. são duas e vinte e dois da manhã e eu acabei de ver pretty woman. vi esse filme tantas vezes na vida que nem sei! não sei exatamente quantas vezes o vi com a mãe. talvez uma ou duas, mas parece que foram várias. ainda tenho a lembrança nítida de como costumavam ser os filmes com ela: eu e os meninos deitado nos almofadões, no meio do chão da sala, sempre aos domingos, enquanto ela engomava as roupas todas. pilhas e pilhas. todo mundo ao seu redor. a estante de ferro vermelha da sala. ridícula: e eu a amava. ah, e pipoca! sempre com pipoca. eu assisto esse filme e choro, todas as vezes. muito por essas lembranças.
tem um outro filme especial demais pra mim, bem como a lembrança da primeira vez que eu o assisti: grinch. era natal e nós, não lembro porque, tínhamos quebrado a tradição de passar o natal na vó e passamos em casa. na tal da globo tinha esses especias de natal com filmes bem batidos. a gente tinha pedido um galeto e foi comer no chão da sala, todos ao redor de alguma comida que alguém tinha cozinhado muito rápido pra acompanhar o galeto. um piquenique de natal lá pelas 23 horas. essa lembrança é tão gostosa. eu fui/sou imensamente feliz por essas pequenas coisas. esses pequenos momentos que dizem tanto sobre ela. a força de 5 mulheres. o gosto por filmes peculiares. a simplicidade das rotinas. a potência de significados que cada coisa tinha pra gente, pra ela. aquilo era nosso. só nosso. de mais ninguém.
eu vejo essa casa imensa, tudo o que a gente tem hoje em dia, o conforto, a chance que eu tive de poder ser quem eu sou em meio a tantos que não tiveram essa oportunidade. eu devo minha vida à essa mulher. à ela, mais ninguém.
