Ninguém sabe pra onde tá indo

Uma certeza: todo mundo é feito de incertezas. E nela eu me basto, porque eu ainda não aprendi a adivinhar o futuro. É engraçado e um pouco trágico como a gente vive em busca de alguma coisa que tá lá frente das nossas vidas e planos infalíveis são arquitetados pra alcançar tudo isso que parece a luz no fim do túnel, mas que às vezes é só um farol de algo que vai nos atropelar se não sairmos da frente. E a gente não tem como descobrir se é fim do túnel ou farol até que esteja suficientemente perto. Dos meus maiores esforços atualmente, aceitar o farol e o túnel é o que eu tenho mais trabalhado. Seja o que for, venha no passo que vier, o farol e o túnel são parte inevitável de mim, que me constrói ou destrói. Não necessariamente o farol é um trem. Às vezes é lanterna.

De tudo que eu tenho ouvido ultimamente, a angústia de achar o caminho certo, aquele que é brilhante, maravilhoso, que merece aplausos e garante alegria, esse caminho é a maior das aflições das mentes e corações que querem ganhar o mundo — e não só um hectare ou outro. Adultos se sentem perdidos também, mas socialmente não aceitamos de boa vontade que esses corram para os colos dos seus pais para encontrar abrigo ou repouso. Maturidade nada tem a ver com rumo certo e a vela pronta e remo em mãos para seguir até fazer calo nos dedos sem que se pare para soprar as bolhas que estouram e ardem. Maturidade tem a ver com a possibilidade de admitir que não se sabe para onde ir. Realinhar a rota é preciso.

A cobrança por caminhos certos faz com que a gente silencie a vontade de gritar. Mas existem alguns gritos que precisam sair para dar lugar a novas possibilidades dentro da gente. Se sentir compreendido ajuda, e a língua é ferramenta disponibilizada para nossa espécie não sufocar.

Até quem acha que sabe para onde tá indo, logo descobrirá que a vida se encarrega de soprar para outro lugar. Isso tem a ver sobre meu primeiro texto aqui, sobre as possibilidades serem infinitas. A gente é barquinho solto no mar.

Eu desconfio que nunca vou ter rumo certo para apontar a bússola e navegar. Minha carne é me atirar pelos caminhos para desbravar. E às vezes é preciso retornar só para lembrar do lar. Esse texto tá virando poesia, tá na hora de acabar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.