Esses dias sentei na cadeira e fiquei um tempo dedilhando a caneta enquanto a folha de papel em branco na minha frente me assustava. Então fiquei pensando nas coisas que às vezes dão errado na vida da gente, nas histórias de amor que se perderam, nas amizades que nem chegaram a ser.

Eu gosto de culpar os astros, a sinastria do mapa astral, os desencontros por causa das turnês, a imaturidade de quando tudo aconteceu, mas às vezes eu me questiono se isso é o destino ou falta de esforço. Me recordo da meia dúzia de histórias inacabadas ou drásticas que renderam um monte de feridas em mim, em quem estava à minha volta... E nessa mania de acreditar que precisamos ultrapassar barreiras, nunca paramos pra perceber que estamos seguindo o caminho errado.

Cheguei à conclusão de que não existe ninguém totalmente ruim ou totalmente bom, mas que às vezes aquele melhor amigo, ou aquele romance que parecia ser o último da sua vida, pode não o ser. E aí você fica ali, se esforçando, se desdobrando pra que as peças se encaixem, e as pontas tão soltas cortam todos no final das contas. Talvez a gente pertença a outro desenho de quebra-cabeça que só parece ter o mesmo encaixe, mas que no fundo não tem.

E que tudo que está lá - o cenário bonito, as pessoas, o lugar e tudo que parece tão certo, tão atraente, do jeito que a gente imaginou; uma história bonita, bem escrita, um roteiro de filme - nem sempre é assim. Quando algo é pra ser, as coisas se encaixam, e quando isso não acontece, pode ser que aceitar que não foi feito pra durar seja mais simples do que culpabilizar ao outro, ou a si mesmo.

Não é culpa da sinastria, do destino, dos outros. É só quem somos, quem são os outros e a nossa falta de tato em aceitar que algumas coisas não são feitas para acontecer.