Design Thinking, Lean e Agile: diferenças, semelhanças e complementariedades.
Design Thinking, Lean e Agile são mindsets que, quando bem praticados, ajudam as organizações a desenvolverem novas competências: identificar problemas e explorar possibilidades; transformar todas as ações em oportunidades de aprendizados para tomar melhores decisões; buscar os resultados de forma otimizada para se adaptar às mudanças constantes. Por serem buzzwords, é comum haver confusão entre os três modelos, seus conceitos e práticas. Diversos livros e cursos estão à disposição, mas a grande maioria trata de cada um deles de forma separada. No entanto, é importante entendermos as diferenças, semelhanças e — sobretudo — complementariedades entre eles para usá-los de forma conjunta na definição de estratégias e desenvolvimento de produtos.
Criar produtos e serviços digitais exige colaboração entre diferentes áreas de conhecimento — tecnologia, design e negócios — e cada uma delas tem um papel diferente no processo. Design Thinking, Lean e Agile apoiam o desenvolvimento colaborativo e maximizam o valor entregue pelo produto ao longo do seu ciclo de vida.

Design Thinking
Mindset para exploração de problemas complexos e identificação de novas oportunidades em contextos de incertezas. A partir de uma série de técnicas, pode-se aplicar a forma de pensar e fazer dos designers em diferentes contextos. O Design Thinking centra-se nas necessidades reais das pessoas (o ponto de partida é o usuário final): nas demandas latentes que nem sempre são articuladas pelas pessoas — pois normalmente elas nem sabem que têm. Cocriação, experimentação, divergência e convergência são seus conceitos-chave.
Componentes básicos do Design Thinking:
• Identificar um problema real;
• Buscar por soluções;
• Considerar diversas opções (pensamento divergente);
• Desenvolver uma proposta de solução (pensamento convergente).
Lean Thinking
Filosofia de gestão que aplica pensamento científico para testar nossas crenças e hipóteses enquanto buscamos melhorar um sistema. Esse teste de hipóteses se dá por meio de ações concretas, observando o que de fato acontece, e fazendo os devidos ajustes a partir dessas observações. Mais do que seguir processos e procedimentos, envolve mudança de cultura e de modelo de pensamento — não da forma como o trabalho é feito, mas dos princípios e valores que motivam as pessoas. A ideia de controle e aversão às incertezas precisa ser deixada para trás em cenários complexos e dinâmicos: é preciso testar, errar rápido, aprender e fazer os ajustes necessários.
Valores e princípios do Lean Thinking
• Valor > Produção (outcomes over outputs): a performance é medida pelo valor que é entregue, não pela quantidade de trabalho realizado;
• Aprendizado e capacidade de adaptação > Análise e predição: testar as hipóteses fazendo, não só analisando e planejando (combinar pensamento científico com prática);
• Pessoas empoderadas são mais felizes e atingem melhores resultados: definir objetivos claros, confiar nos times e dar autonomia para que alcancem os resultados — descentralização;
• Fluxo contínuo para otimização de valor: gerenciar as demandas, entregar com rapidez e eliminar desperdícios de trabalho com foco no que é importante para o cliente (pull);
• Qualidade é resultado, não é atividade: qualidade se desenvolve a partir de aprendizado e melhoria contínua.
Agile Thinking:
Agile começa com um problema, não com um requisito, e entrega uma solução efetiva. A sua ideia central é desenvolver softwares que se adaptam às mudanças. Rapidez, iteração, adaptação e foco em qualidade por meio de entrega contínua são seus conceitos-chave.
Valores Agile de acordo com o Manifesto para Desenvolvimento de Software Ágil:
• Indivíduos e interações > processos e ferramentas;
• Software em funcionamento > documentação abrangente;
• Colaboração com o cliente > negociação de contrato;
• Responder as mudanças > seguir um plano.
O que Lean e Agile têm em comum:
• Eles abraçam a mudança, não importa o quão tarde isso ocorra;
• Eles produzem valor de forma iterativa, em ciclos curtos de entrega;
• São humanísticos, ou seja, valorizam mais as pessoas do que os processos e encorajam autonomia e colaboração;
• Ambos focam em qualidade, o que resulta em melhora da produtividade e eficiência;
• Eles buscam eliminar esforços que não geram valor;
• Eles buscam a melhoria contínua por meio de reflexão e aprendizado.
Como o Lean e Agile se diferem:
• Agile otimiza a criação e entrega de software; Lean otimiza sistemas de trabalho que entregam valor;
• Lean busca atingir um fluxo contínuo de entrega de valor ao alinhar todo o trabalho com as demandas dos clientes/prospects (pull); A entrega de valor para o cliente importa para o Agile também, mas as iterações ou sprints são baseadas em tempo;
• A prática do Lean consiste em produzir o mesmo output repetidamente, aprendendo e aprimorando em cada entrega; Agile é totalmente sobre adaptação às mudanças e a maioria das suas práticas tratam exatamente disso.
Design Thinking + Agile + Lean

As forças de cada modelo de pensamento, quando combinadas, nos ajudam a atingir os resultados certos. O pensamento Lean trata sobre a experimentação contínua para encontrarmos as respostas corretas. Ele ajuda a identificar os melhores produtos — que os prospects realmente querem — e a melhorar de forma contínua o sistema que entrega valor, não interessa o segmento de mercado, tampouco o tipo de produto. Design Thinking é sobre compreender os problemas, identificar oportunidades e explorar possibilidades que entregam valor para os clientes/prospects e para a organização. O Agile trata sobre como atingir os melhores resultados da melhor maneira, se adaptando as mudanças sem perder o foco na qualidade.
Lean e Design Thinking nos ajudam a compreender onde nós estamos, onde nós queremos estar, e buscar o sucesso através da exploração, experimentação e aprendizagem validada. A proposta de identificar problemas e oportunidades e explorar diferentes opções do Design Thinking é perfeitamente combinável com a ideia de pensamento científico e aprender-fazendo do Lean.
Design Thinking e Agile combinados, permitem a colaboração efetiva entre os times para entrega de produtos relevantes. Engenheiros, designers e especialistas em produtos/marketing trabalham em conjunto, interagindo de forma contínua para entregar os resultados desejados para o cliente.
A estratégia entra em execução com a combinação entre Lean e Agile. Lean entrega um modelo para testar as hipóteses e refinar a estratégia por meio dos aprendizados validados, que só funciona se todo o sistema for capaz de se adaptar às mudanças. O Agile provê a flexibilidade necessária para isso, alinhando a entrega da tecnologia com o valor real para o cliente.
Design Thinking, Lean e Agile não são mutuamente excludentes; pelo contrário, eles são complementares e muito parecidos entre si. No entanto, é importante entender as suas diferenças e semelhanças para enxergar essas complementariedades, porque quando usados em conjunto, os resultados são ainda melhores. Os conceitos são confundidos, porque normalmente buscamos respostas simples e também porque tendemos a misturar diferentes mindsets para encontrarmos uma maneira de fazer as coisas que faça sentido para determinada empresa ou projeto. E não há nenhum problema nisso. Não se trata de encontrar uma maneira única de fazer as coisas, pelo contrário, combinar diferentes approaches é uma das melhores formas de resolver problemas complexos. Não é sobre OUs, e sim sobre Es.
Fontes:
A Startup Enxuta, Eric Ries.
Design Thinking: Uma Metodologia Poderosa Para Decretar o Fim das Velhas Ideias, Tim Brown.
Understanding Design Thinking, Lean, and Agile, Jonny Schneider.
Manifesto for Agile Software Development.
The Practice of Adaptive Leadership, Ronald A. Heifetz, Marty Linsky e Alexander Grashow.
