“A gente não tem controle de nada”

E essa deveria ser a máxima da vida.

Uma amiga se deu conta disso enquanto fritava um ovo no escuro, logo após uma queda de luz. Tanta coisa planejada. Todo o tempo a ser preenchido. Tanta coisa que a gente projeta na nossa rotina que às vezes quando a conta chega tudo o que somos é apenas alguém fritando um ovo no escuro.

Acho que existe uma certa genialidade em se dar conta de coisas que relutamos a aceitar.

Tipo perder o controle.

Quando a gente se sente muito consciente do que somos, sobre pra onde vamos ou do que queremos parece que nunca vamos precisar fritar um ovo no escuro.

Mas é aí que a vida acontece.

Talvez seja tudo sobre o quanto estamos dispostos a ficar no escuro, se esse for o caso. Ou a quebrar o ovo. Ou encarar a frigideira, quando for a hora de encarar.

Talvez seja sobre como vivemos e vemos a vida enquanto não precisamos fritar o ovo.

Ou talvez seja sobre aceitar que às vezes gostaríamos de mais do que um ovo frito no escuro, mas que naquele momento nada além daquilo poderia ser ideal.

Mudanças que rompem e rasgam nossas certezas nem sempre são tragédias.

Mudanças te obrigam a no mínimo estar atenta pra que o que é pra ser retrato não seja paisagem.

Tem hora que tudo passa tão rápido que se a luz não falta, uma decepção não acontece, uma despedida não se torna necessária parece que o mundo nem tá existindo de verdade.

Tem hora que a oportunidade te obriga a olhar pra dentro. E te faz enxergar às vezes o que nem existe mais ali.

Às vezes a gente precisa desviar os olhos da rotina. Deixar a mudança entrar.

Abraçar o revés.

E aceitar que talvez o melhor que podemos fazer na vida é fritar um ovo no escuro.