Olimpíadas dos Copos

Edição especial de copos olímpicos faz sucesso durante os jogos

Um legado inusitado das Olimpíadas Rio 2016 foram os copos olímpicos personalizados. A febre foi tamanha que criou um novo tipo de mercado. A cerimônia de encerramento ainda não havia acontecido quando dezenas de anúncios dos copos personalizados com os 42 tipos de modalidades olímpicas foram colocados em site de vendas e até grupos para trocas no Facebook foram criados.

“Copos da Olimpíada — Trocas, compra e venda!” é o nome do maior grupo, com mais de 440 membros. São incontáveis anúncios por dia de pessoas interessadas em vender ou trocar os copos que foram adquiridos na compra uma cerveja de 473ml por 13 reais dentro das arenas olímpicas.

O funcionário público Welberth Saadi, 34, é um dos que se empolgou na coleção. Ele conta que levou uma semana e meia para conseguir todos os copos, mas que no início não tinha a intenção de vendê-los “Não tinha intenção de fazer coleção, apenas fui bebendo durante os jogos e quando vi tinha quase todos os copos. Troquei os repetidos com amigos e, no último dia, reparei que faltavam apenas dois para fechar e pedi para um amigo que comprasse”. Com a coleção completa, Welberth decidiu vendê-la em um site de compras online pela bagatela de 1.100 reais. Apesar da baixa procura, ele garante que o investimento valeu a pena. “Só estou vendendo porque a minha esposa não quer guardar”.

Anúncio dos copos do funcionário público Welberth Saad. (Reprodução Internet)

Para completar o conjunto com os 41 copos, foi necessário desembolsar um total de 533 reais, mas os cervejeiros de plantão não se incomodaram em pagar a mais pelo produto. O especialista em marketing esportivo Eduardo Refkalefski considera que a estratégia de marketing da empresa foi certeira pois difundiu a marca em um evento internacional. Além disso, ele atribui algumas razões para o sucesso do produto “ A primeira razão para o sucesso foi a praticidade. É um produto que as pessoas usam e carregam para todos os lados nos eventos. E o design traduz alegria, bem próximo do clima festivo do evento. A ideia de usar um copo promocional também proporciona uma exposição e um custo benefício atraentes para a empresa, porque os custos de mídia estão muito altos”, disse.

Sucesso irrefutável, os copos olímpicos levaram pessoas como o técnico em radiologia Silvio Junior a consumirem mais cerveja apenas para completar a coleção. O carioca faz parte de um grupo de colecionismo ligado ao esporte e acabou fazendo duas coleções. Ele garante que esse acervo é valioso. “Se não viesse com os copos, eu não teria comprado nem 50% do que comprei. No parque todos comentavam que estavam comprando por causa do copo. Muita gente só pegava o copo e deixava a cerveja.”, conta Silvio

Ajuda Divina

A dificuldade em encontrar todos os copos no mesmo local foi tanta, que Silvio chegou a sair pelo Parque Olímpico parando outros colecionadores em busca dos dois que faltavam para completar o segundo grupo. Ele conta que repentinamente um japonês o abordou com dois copos cheios na mão e pediu para trocar os que estavam em sua mochila, mas Silvio já tinha todos. “Mesmo assim eu troquei alguns repetidos para ajudar ele. Mas do nada eu reparei nos que estavam na mão dele e eram exatamente os dois que eu precisava. As pessoas que estavam comigo começaram a gritar e jogaram o japonês com a cerveja para o alto. Alguém mandou aquele cara ali, foi ele que veio falar com a gente”, diverte-se.

Silvio Junior registrou o momento em que encontrou os dois últimos copos que faltavam

Não foram só os copos de cerveja que fizeram sucesso. O paulista Bruno Zerbinatti recebeu diversas ofertas pelos copos de plástico da Coca-Cola que ganhou na abertura dos Jogos Olímpicos. “Eu postei uma foto com os copos de cerveja e coloquei o de refrigerante junto como brinde. Choveu de gente querendo comprar só o copo da Coca-cola, chegaram a me oferecer 50 reais por um dos copos que é de plásticos”, conta. Para ele a sensação dos copos se deu porque todos querem ter uma lembrança da primeira Olimpíada no Brasil “ Eu vendi toda a minha coleção e vendi para um cara de Minas Gerais que pagou 460 reais com o frete, todo mundo quer uma lembrança”.

Por Diane Dias e Clara Mayrink