Necrophilia Variations —Supervert

Na floresta atrás da igreja havia um riacho. Claro que Lucy achou romântico, embora eu pessoalmente odiar o som de água corrente. Cachoeiras rangem contra meus ouvidos estáticos. Ondas no oceano balançam meu crânio como uma broca de dentista. E o ruído do riacho, só esse chiado irritante e repetitivo. A própria água chinesa da natureza. Eu escolheria outra floresta sem correnteza, mas percebi que o riacho seria bom para lavar o sangue.

Eu segui um caminho através das árvores, nos guiando com minha lanterna, Lucy estava atrás, falando sozinha, cantando e me fazendo perguntas que eu propositalmente ignorava. Ela era como o riacho, um ruído constante. Mulheres, pensei, mulheres deveriam ser obscenas e mudas.

“Você acha,” Lucy perguntou, “que o que estamos fazendo é pecado?”

“Não.”

“É pecado na bíblia.”

Me virei e apontei a lanterna pra ela. “Você acredita na bíblia?”

“Eu não sei” ela disse, “Eu não sei se acredito em Deus em si, como um velho barbudo sentado em um grande trono. Mas eu acredito em alguma coisa, sabe?”

“Não.” voltei a andar.

“De jeito nenhum?”

“Você já ouviu a piada de Deus e o Necrófilo?”

“Não.”

“Por que o necrófilo foi para o céu?”

“Eu não sei, por quê?”

“Ele ouviu dizer que Deus estava morto.”

Lucy calou-se por um minuto. Eu levantei a mão a dizendo para parar. E ouvi. Uma coruja piava longe. Depois disso, tudo ficou quieto de novo. Voltei a andar e ouvi os passos de Lucy nas folhas secas atrás de mim.

“Eu não entendi.” ela disse “Por que você me contou essa piada? O que isso significa?”

“É só uma piada.”

“Mas por que você me contou agora? O que quer dizer com isso?”

“Eu não quero dizer nada.”

“Só estou tentando entender. Por que estamos fazendo isso?”

“Por quê você acha?”

“Bem, sei porque eu estou fazendo”

“E?”

“Eu te amo.”

“Me ama mais do que ama sua vida?”

“Mais do que tudo.”

Finalmente, a luz da lanterna encontrou outra pequena fonte de luz. Perto onde o riacho passa por algumas pedras. Os restos da fogueira exalavam cheiro forte de madeira queimada e atrás das árvores se via a torre branca da velha igreja. Coloco a lanterna em um tronco e bato em umas mariposas q voam ao redor. Tiro o revolver enrolado em um pano oleoso que eu carregava e o seguro próximo a luz. Lucy o olha séria.

“Você trouxe apenas uma arma?”

“Sim.”

“Bem, é tão como eu deveria atirar em mim mesma?”

Levanto a arma. “Eu posso atirar em você primeiro.”

“E como eu posso confiar que você vai mesmo atirar em si mesmo depois de mim? Talvez você só queira me matar!”

“Isso é ridículo.” menti. “Olha, e se a gente brincar se roleta russa?”

“Você não pode esperar que eu me mate, nunca toquei em uma arma antes. E se eu apenas me machucar?”

“Se você se machucar” digo, “eu terei que terminar por você.”

“Mas e se você usar todas as balas em mim? Você pensou nisso? Quantas balas você trouxe?”

“Seis.”

“Só seis balas!” ela virou. “Viu? Você usará todas em mim, então não poderá atirar em si mesmo. Eu não quero morrer sozinha…” ela começa a soluçar.

“Então eu atiro em mim primeiro.” ofereci sabendo que ela recusaria.

“Não!” ela chorava. “Não me deixe sozinha. E se eu não conseguir?”

“Pelo amor de Deus, Lucy! O que você quer que eu faça? Alinhe nossos corpos e atire através de nós dois?”

“Você poderia?”

“Eu poderia.”, disse pressionando a arma em seu peito esquerdo, então atirei.

BANG!

Ela parece surpresa.

BANG!

Ela volta de costas para beira da água. Põe a mão no coração, como alguém fazendo um juramento. O sangue passa pelos seus dedos e ela tenta o conter com a outra mão. E então relaxa e se deita com seu olhar de choque, como se acordasse e encontrasse um pássaro morto entre seus dentes.

Abro o pano oleoso entre as folhas secas e deixo o revolver ali. O zumbido do tiro em meus ouvidos aos poucos se afogam no riacho. Pego a lanterna e olho Lucy de perto. O sangue corre pelo seu peito, por baixo de seus ombros e na água. Ela é tão linda. Me deito ao seu lado a água fria. Com o canto dos meus olhos posso ver a torre da igreja através da árvore e, de repente, posso ver Lucy lá em cima no céu, olhando para mim. “Que merda você está fazendo com meu corpo?”

Posso vê-la furiosa, desabando para um anjo; “Não há nada que possamos fazer?”. Ele argumenta; “Não é mais você.” ele pode dizer “É só o seu corpo , não deixe que isso te incomode.” Mas naturalmente a sua visão sobre mim a incomodaria. “Foda-se!”, ela gritaria o empurrando, “Não é o seu corpo que está sendo estuprado lá embaixo!” Ela bate o pé, quebra harpas e registar-se a cantar os louvores de Deus. “Como ele pode deixar isso acontecer?” seus gritos ecoariam pelo céu. Anjos enfiariam seus dedos nos ouvidos. Deus lamentaria sua onisciência, “Quem está fazendo toda essa algazarra?” Ele trovejaria.

Levanto minha cabeça para o céu e grito; “Ela é problema seu agora, Deus.” e como resposta tenho silêncio. Esperando o assobio distante da coruja.

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