Minha autópsia falha

Inflar meus pulmões não se trata de resolução.
Eu simplesmente não quero respirar toda essa densidão de banalidades.
Algo em mim ruiu... se desfez em limites imprecisos.

Fui cortada e nem sequer me cos tu ra ram.
Opostamente, abriram mais a laceração.

Ignoraram a ferida. Perfuraram minha índole calma.

Autopsiaram-me, em meio a suspiros entediantes e mecânicos.

Encontraram vazio na cavidade cardíaca.

Fato? Convictamente...

Será que não perceberam a vitalidade estampada no olhar? Não, meus olhos não mais existiam.

Por quê? Por que exatamente?

Por insignificante eu ser, por tentar atribuir cor ao que ficou cinzento ou foi elaborado assim?

Minha paleta está vazia.

Sou uma fracassada inócua, quiçá pesarosa por apanhar os destroços de dignidade.

Vislumbrem, estão ensanguentados e apodrecidos.

Recriar os momentos, em uma memória já deteriorada por traumas, decepciona.

Silenciar é o plausível.

Palavras não se questionam... e ideias não são disfarçadas por mediocridade,

principalmente

quando estão

desordenadas.

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