25 de julho: Uma data invisibilizada. Uma data de silêncio.
25 de julho — dia internacional da mulher negra, latina-americana e caribenha é um símbolo de resistência e luta da mulher negra. Essa data negra, como tantas outras, é invisibilizada na sociedade brasileira, pois ainda vivemos no mito da democracia racial, acreditando que ‘somos todos iguais’ não é mesmo? Mas, vamos escurecer, essa data não reforça discriminação, segregação ou vitimismo como muitas pessoas falam, quando tratamos de assuntos relacionados à temática negra. Ao contrário, ela ressalta a importância de falarmos sobre as imposições e estigmas que ainda cercam a mulher negra no século XXI e analisar, de modo interseccional, as opressões sofridas pela mulher negra por meio de marcadores sociais como raça, gênero e classe.
O objetivo não é hierarquizá-los, mas evidenciar como, constantemente, o machismo, o racismo, o sexismo e as diferenças de classe impostas na sociedade nos atingem. Por isso, falar em mulher negra é tão caro a nós, o que torna esse enfrentamento e combate mais doloroso ainda.
Crescemos com a “missão” de lidar com os ataques que sofremos. Somos ensinadas a aceitar os pedidos de desculpa, a não sermos “tão” negras — não assumindo nossa identidade, nossos corpos, nossos cabelos, a nos ocultarmos e nos curvarmos perante a sociedade, e quando não seguimos as imposições, isso é visto como errado. E, surgem as perguntas: “De novo com essa história de racismo? De novo com essa história de representatividade? De novo com essa história da globeleza?” Sim. Sim. Sim.

Eu não gostaria de precisar — porque é uma necessidade — falar sobre isso, mas são as dores e dilemas que me cercam, me incomodam, e às vezes, são tão presentes e tão fortes, que não consigo me calar. Na verdade, o ato de não permanecer calada é um exercício difícil, pois o silenciamento é persistente. É importante lembrar que o silêncio também é comunicação. Se o meu silêncio me incomoda, me entristece, posso dizer que o silêncio da sociedade, pra mim, é ensurdecedor, pois me machuca, me fere. E, é esse silêncio que nos consome a vida toda. Infelizmente, vocês podem se dar ao direito de não falar sobre isso, mas nós — mulheres negras — não podemos. Uma hora, diretamente ou indiretamente, este confronto social chega. E, cabe somente a nós lidarmos com isso.
Por isso, e por tantos outros motivos, essa data é e sempre será importante. Para lembrarmos que não podemos nos calar, que não podemos continuar a sofrer com a opressão nos pequenos e grandes gestos da sociedade, que precisamos resistir, lutar e viver dignamente. Seguimos resistindo!
Originally published at medium.com on July 25, 2017.
