Wikinegro: 13 conceitos que você deveria conhecer

Luana Daltro
Nov 4 · 6 min read
Fonte: pensadormaskarado.com

Já que vocês desejam tanto o #wikinegro, então, resolvi construir. É uma mini “dicionário” com conceitos e informações relacionados à questão racial.

Sim, eu precisava muito fazer este conteúdo, e não, não é minha obrigação, e sim, vocês deveriam já saber. BUT, ninguém nasceu sabendo, e acredito muito que a luta antirracista é pautada em educação contra o racismo, me julguem, mas eu acredito nisso. Além disso, vocês sabem que estou sempre falando sobre questões raciais nos lugares onde frequento, e principalmente, nas minhas redes sociais, porque é uma temática crucial na minha vida. Mas, infelizmente, não é um assunto que é comum para muitas pessoas — tanto porque há um desinteresse das pessoas não negras em conhecerem os impactos de privilégio que a raça tem no seu dia a dia, quanto para pessoas negras que não estão habituadas ou não tem acesso à informação. Então, em suma, foi nisso que eu pensei. Espero que vocês façam um ótimo proveito destas informações.

1.Raça

É utilizado para tratar de questões ligadas ao valor socialmente atribuído a características físicas, como casos de discriminação ou segregação racial que ocorrem na sociedade.

2. Racismo

Conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças e etnias. O racismo é um sistema de poder estrutural na nossa sociedade, logo, se olharmos ao longo da história, pessoas brancas utilizaram sua supremacia para legitimar a inferioridade de pessoas negras, indígenas e judeus. O resultado extermínio e genocídio dessas populações. O reflexo, para negros e índios, ainda é sentido no dia a dia.

3. Racismo reverso

As pessoas brancas acreditam que quando são chamadas de forma depreciativa pela cor da pele, essa atitude se configura como racismo. Mas, não, porque não existe racismo contra um grupo hegemônico na sociedade. Quando uma pessoa branca sofre algum tipo de agressão verbal relacionada à sua cor, sofreu uma discriminação ou uma injúria racial que esta relacionada à honra, independente de seu fenótipo.

4. Antirracismo

Angela Davis nos diz que não basta ser contra o racismo, você precisa ser antirracista. O antirracismo inclui crenças, ações, movimentos e políticas adotadas ou desenvolvidas para se opor ao racismo. Então, reflita, quais as práticas que você adota no seu dia a dia para ser antirracista?

5. Democracia Racial

Na década de trinta, houve a difusão da concepção de que no Brasil se vivia uma democracia racial, mas, é um mito. Por quê? Foi uma “invenção”de que como fomos colonizados por portugueses, que exerceram uma relação superior com os povos colonizados, pois eram “menos agressivos”, logo, eles não eram considerados racistas (mentira total), assim criou-se uma percepção de que a miscigenação e a pluralidade racial do país demonstram que não somos preconceituosos, mas, ao contrário, que somos o povo que exala diversidade (tá bem, Cláudia)

5. Miscigenação

A miscigenação foi um processo estruturado, planejado, instaurado e fortalecido para negros e índios (sim, eu sei que dói). Essa foi difundida como forma de alienação de suas identidades, os quais acreditavam que com essa medida, seus filhos seriam incluídos na sociedade, pois sabemos que eles não eram considerados como integrantes da população.

6. Moreno e Mulato

Moreno= pessoa branca com cabelo preto. Logo, vocês NÃO devem chamar uma pessoa negra de morena, acreditando que o uso do termo é uma forma de suavizar. Isso só suaviza o racismo existente na cabeça de vocês.

Mulato = a origem da palavra vem de mula, aquilo que é híbrido,pois a mula é originada do cruzamento entre espécies, nascidos da reprodução de jumentos e cavalos. Sendo assim, não é nada ‘bacana’ chamar uma pessoa negra de mulata para indicar a mestiçagem, que não deveria existir.

7. Branqueamento

No século XIX e meados do século XX, a elite brasileira estruturou a “ideologia do branqueamento” baseada na premissa de que era necessário embranquecer o país (tornar a população mais branca mesmo), uma vez que ser negro era considerado ruim — isso não parece familiar pra você? Para entender mais sobre o tema, escrevi um texto e pode ler aqui.

8. Colorismo
É uma prática comum em países que sofreram com a escravização e foram colonizados por países europeus. De modo o simplista, o colorismo explica que a discriminação pela cor da pele também sofre influência da tonalidade, ou seja, quanto maior a pigmentação, mais exclusão e discriminação uma pessoa sofrerá na sociedade.

9.Blackfishing

Nos Estados Unidos, o termo blackfishing passou a ser usado para descrever pessoas de pele clara que se apropriam de aspectos da cultura negra para tirar algum proveito comercial ou pessoal desta imagem. Trecho retirado do Buzzfeed Brasil. Para entender como o blackfishing nos atinge enquanto mulheres negras, leia aqui.

10. Blackface

Na tradução “rosto negro” é uma prática de caracterização com traços corpóreos como pintura da pele, uso de cabelo afro e outros fenótipos, utilizada por pessoas brancas. Essa utilização ficou conhecida por personagens teatrais, para os quais pessoas brancas se pintavam com objetivo de representar pessoas negras, ação que ainda acontece em novelas, programas de TV e filmes. Sua origem advém do período pós-escravocrata, em que eram oferecidas vagas de empregos direcionadas às pessoas negras e para ocupá-las, pessoas brancas pintavam seus corpos e mudavam seus cabelos.

11. Opressão

Opressão é o efeito negativo experimentado por pessoas que são alvo do exercício do poder numa sociedade ou grupo social. Neste caso, todas as atitudes oriundas de um grupo dominante, mesmo que seja simbólico na sociedade, como a questão racial é um exemplo de opressão.

11. Feminismo Negro

Numa análise objetiva, o Feminismo Negro surgiu da necessidade de mulheres negras se sentirem contempladas nas pautas feministas da época, uma vez que as discussões sobre os direitos das mulheres estava servindo de pleito por feministas e sufragistas, contudo não inserindo as demandas das mulheres negras. Logo, quando fazemos essa diferenciação, precisamos compreender que o contexto da época ainda reflete na sociedade.
Enquanto mulheres brancas lutavam por direitos, mulheres negras lutavam pelo direito de serem vistas como indivíduos, enquanto se lutava pelo direito ao voto nos Estados Unidos, pouco se discute o fato de feministas brancas no sufrágio, se negarem a conceder o voto para homens negros enquanto elas não o tivessem. Além disso, não podemos esquecer que o direito e liberdade ao corpo, desconsiderava as atrocidades feitas no período da escravidão. Tendo em vista que o estupro foi o principal mecanismo de dominação e coerção utilizado em mulheres negras e indígenas por homens brancos.
Logo, precisamos entender a diferença e os porquês de fazermos estas divisões, pois servem para dar luz às pautas silenciadas, o resultado é que muitas mulheres negras ainda não se consideram feministas. Por isso, manter esse debate, tem o intuito de auxiliar mulheres negras a criarem suas identidades e se autoafirmarem enquanto indivíduos. Neste sentido, que consigamos trabalhar para fortalecer este pleito, independente das nossas crenças.

12. Sororidade vs. Dororidade

Mulheres são ensinadas a serem inimigas, competirem uma contra a outra, e a a sororidade vem para dizer que ao contrário disso, devemos no unir para construirmos laços de afeto e cuidado nas nossas relações. Já a dororidade aborda como a união pela dor acontece com mulheres negras, que além de lutarem contra as opressões de gênero, precisam lidar com o racismo presente na sociedade.

13. Interseccionalidade

Uma conceituação para compreender os resultados estruturais entre categorias de subordinação, a partir de Crenshaw (2002). A interseccionalidade surge no movimento Black Feminism no final dos anos 70, o qual fazia crítica ao feminismo branco e de classe média.

Referências:

CRENSHAW, K.. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos feministas, Florianópolis, v. 10, n.1, p.171–188, jan./2002.

Raça: https://www.geledes.org.br/o-que-e-raca/

Gostou? Bate palma que a gente gosta aqui embaixo e deixa um comentário.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade