Horchata

Mais uma vez acordo tentando entender o por quê. Por que nada mudou aqui dentro e por que não consigo mudar. O cansaço me prende ao colchão e me sufoca nas cobertas, mas é ele e só ele que entende minha insana confusão.

Todos os dias fica mais e mais difícil me recuperar dessa gripe mental que parece nunca me deixar. Começou com sintomas de severa tristeza mas foram piorando cada vez mais, a febre aumentando e o coração disparando a cada noite que passava sozinha. E cá estou agora: internada nesse sanatório que existe em minha cabeça.

Estou presa nesse inferno que criei dentro de mim. Eu sou o próprio caos! Eu sou meu desgraçado inferno! Como faço para acabar com a dor sem acabar me ferindo? Como posso matar meus demônios sem acabar queimando junto com eles? Como mando embora a solidão se ela está presa à mim?

E aqui estão os velhos sentimentos que achei ter esquecido. Que afetam minha alma. Que matam minha sanidade. Que fodem com a minha existência. Que faz meu coração ficar ainda mais ferido.