Era sexta à noite e a única coisa que eu pensava era: eu sempre dizia que iria. E nunca ia. Agora a mala já está pronta.

A minha clara falta de envolvimento com bateria, torcida e atlética me trazia a tranquilidade de negar idas ao Economíadas. A gente nunca disputava nada mesmo. Mas este ano era diferente. Estive em quadra em quase todos os jogos e quando eu olhava pro lado, não era a bateria, atlética ou torcida. Era a minha família. As meninas que seguraram a minha mão em todos os momentos, que me abraçaram, que riram na mesa do bar como se não houvesse amanhã. E, impressionantemente, um ano após de formada, o meu melhor presente da fecap estava ali. Não foram os colegas da sala, os 4 anos dentro da sala de aula. A FECAP teve que acabar, para começar. Quem peita?

Em 2016 era diferente.

Só a gente sabia como tinha sido chegar até ali, com tantas contusões e perdas durante o caminho. Mas a gente queria ganhar. As pessoas diziam que a gente ia ganhar.

Primeiro dia em quadra. Ensurdecedor o barulho da torcida e: como a gente vai se escutar em quadra? — pensei do banco. Nosso time conversa o tempo todo.

- NAS COSTAS! NAS COSTAS, PUTA QUE PARIU! — a Marcela gritava, pulando, quase lesionando o joelho de novo.

- LADRÃO, LADRÃO. MEU DEUS, ELAS NÃO ESCUTAM!

E não importa quantas gritassem do banco. Não dava pra ouvir. O tempo de avisar a outra, dentro de quadra, era uma bola passando. Mas ganhamos! Já era semi, muito melhor que o vexame do ano passado. Mesmo com todo o nervosismo, nosso time estava lá. Mais um dia.

Já em quadra tudo o que a gente queria era a final. Assistir a torcida ensandecer. Comemorar pelo ano complexo que tivemos. Não deu. Nem fora, nem dentro de quadra. Parecia que não importa o que fizéssemos, a gente não chegaria até o gol. Não havia espaço, não havia falha. Era raça contra técnica. Vontade contra tática. Sonho contra experiência. Emoção contra psicológico. E depois de correr muito, o nosso time caiu em pé para o semifinalista da série a da NDU. Nem a nossa tentativa de goleiro linha, sem treino, nos garantiu um gol. A gente se olhava dentro de quadra e pensava: não é possível que isso tá acontecendo. Mas estava.

Doeu. Doeu porque era pela despedida da Kassi, pela possível despedida da Dine. Pelo nosso empenho, pela nossa vontade. Pelo sonho dos alunos da FECAP. Mas, no fundo, foi só uma derrota entre tantas vitórias que virão. Não tem que ser por ninguém, tem que ser por nós. Pelo nosso crescimento, pela nossa família, pela nossa vontade de melhorar e continuar fazendo o que a gente mais gosta: jogar futebol juntas.

O telefone tocou:

- Ganharam?

- Não, mãe. Perdemos. Mas tudo bem, fizemos tudo o que podíamos. O outro time mereceu.

- Isso, filha. Sempre tem mais.

É isso, família. SEMPRE tem mais. Vitórias são incríveis, mas são as derrotas que ensinam.

Domingo só existe uma opção: correr pela vitória. Correr por vocês. Por nós.

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