tudo pode ser pagode

Passei os últimos dias pensando no que escrever. Entre algo que gerasse algum tipo de questionamento pra alguém — que, por algum motivo (ou talvez por um pedido meu) tenha parado pra ler — e algo fofo, leve e que tenha alguma conclusão, acabei não conseguindo nada. Foi aí que eu parei de querer que algo legal passasse pela minha cabeça pra eu escrever sobre.

Vou dormir. Ou melhor, tentar, já que tava rolando uma festa no meu condomínio cujo tema era “Boteco” e a trilha ficava por conta de uma banda de pagode chamada Turma do Deco. Por causa do som alto, não consigo pegar no sono. Da janela, resolvo observar as pessoas na festa. O aniversariante, já meio bêbado, era só alegria. Todo orgulhoso por ter uma banda todinha tocando só pra ele. Foi aí que algo me chamou a atenção: apesar de ser uma banda de pagode, Turma do Deco não tocava nenhuma música de pagode. Eles tocavam músicas dos mais variados estilos em ritmo de pagode. De funk a rock, reggae a mpb (o Parabéns Pra Você foi o da Xuxa — com uma roupagem especial, claro). Tudo pode ser pagode. Por que não? Entre um Codinome Beija-Flor super ritmado e um Beat It bem mais dançante, não tinha quem não cantasse junto com eles. Até quem não sabia a letra (esse lance tá ultrapassado) curtia o som. Ousadia e alegria. Puro swing.

Enquanto eu pensava isso — e cantava junto — conclui o que aprendi com a Turma do Deco: se encaixar em algo pré-definido é aceitar ser só mais um. Bom mesmo é surpreender fazendo o que der na telha (e isso inclui ter a ousadia de transformar Cazuza num pagodeiro); é ser diferente, não-óbvio. O importante é se divertir com isso, e, assim, fazer os outros se divertirem também. Não sei nem se eles pensaram isso mesmo, mas era bem assim que o aniversariante tava: só alegria.

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